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Noelia Castillo e a decisão de pôr fim ao sofrimento

Negligência parental, abuso e agressões sexuais e uma tentativa de suicídio que a tornou paraplégica. O caminho de Noelia até à eutanásia, aos 25 anos.

Não foi fácil a vida de Noelia. Primeiro chegou a negligência por parte dos pais, que se separaram quando tinha 13 anos, ficando durante algum tempo sob a tutela do Estado. Anos mais tarde, sofreu vários episódios de abuso e agressão sexual e a última vez, avança o , foi às mãos de três rapazes. Um trauma que a 4 de outubro de 2022, resultou numa tentativa de suicídio: Noelia atirou-se de um quinto andar de um edifício, ficando paraplégica. A situação clínica foi considerada não recuperável, sendo agravada por uma dor crónica e incapacitante, cumprindo, assim, os requisitos definidos pela lei da morte medicamente assistida.

Noelia Castillo, em entrevista ao programa 'Y ahora Sonsoles'
Noelia Castillo, em entrevista ao programa 'Y ahora Sonsoles' Antena 3

Após uma longa batalha em tribunal, Noelia Castillo morreu esta quinta-feira, aos 25 anos, como escolheu.

Em julho de 2024 - após o aval científico dos profissionais independentes que integram a Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha (CGAC) - um tribunal espanhol autorizava a morte medicamente assistida de Noelia Castillo, uma jovem então com 24 anos que queria terminar com o seu sofrimento, após uma sequência de tragédias agravadas pela agressão sexual em grupo e consequente tentativa de suicídio que a deixou paraplégica.

Inicialmente, a eutanásia estava planeada para 2 de agosto de 2024, mas na véspera da intervenção um tribunal de Barcelona aceitou o pedido do pai de Noelia, Gerónimo Castillo, para a suspensão temporária do procedimento. Foi o próprio pai, assessorado pelos ultra-católicos Abogados Cristianos - e apoiado pela mãe de Noelia -, que resultou num imbróglio judicial que a manteve viva até esta quinta-feira, recurso atrás de recurso por parte do progenitor.

A alegação seria que a sua filha sofria de problemas de saúde mental e não estava em condições de decidir o seu destino. Até chegar ao Tribunal Constitucional no passado mês de fevereiro, que decidiu a favor de Noelia, assim com o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, um dos últimos recursos dos Abogados Cristianos.

Na véspera da sua morte, Noelia despediu-se numa entrevista ao canal Antena 3, no programa , a partir de casa da sua avó materna. “A ver se consigo descansar, porque já não aguento mais esta família, já não aguento mais as dores, já não aguento tudo o que me atormenta na cabeça por causa do que vivi”, contou.

Foi sozinha, e por vontade própria, que morreu, segundo os seus próprios termos: “Não quero ninguém lá dentro, não quero que me vejam a fechar os olhos.”

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