Sábado – Pense por si

PASSATEMPOS

Descubra os novos desafios da SÁBADO

JOGAR ›

Eurodeputados querem limitar turismo excessivo e promover regiões menos visitadas

Lusa 18 de março de 2026 às 12:00
Adicione como fonte preferencial no Google
As mais lidas

Para atrair turistas para as zonas menos visitadas, os eurodeputados pediram um "mecanismo de apoio específico para reforçar as ligações por ar, mar ou terra" a essas regiões.

Uma comissão do Parlamento Europeu aprovou esta terça-feira um relatório que defende uma maior redistribuição dos fluxos turísticos, propondo medidas para promover regiões menos visitadas e regular o turismo excessivo, como limites a arrendamentos de curta duração.

Eurodeputados querem alternativas ao turismo excessivo e apoiar regiões menos visitadas
Eurodeputados querem alternativas ao turismo excessivo e apoiar regiões menos visitadas Philipp von Ditfurth/DPA

No relatório, aprovado na Comissão dos Transportes e Turismo do Parlamento Europeu (PE), os eurodeputados referiram que, atualmente, 80% dos turistas visitam os mesmos 10% de destinos a nível global e, neste contexto, defenderam que se deve "aliviar a pressão das zonas com turismo excessivo e redirecionar os visitantes para destinos remotos, emergentes ou menos conhecidos".

"Gastronomia, vinho, cerveja, herança cultural, ciclismo e experiência de turismo regenerativo podem criar novas oportunidades para destinos emergentes, além de permitir prolongar as viagens para lá das épocas altas e gerar receitas adicionais", afirmaram os eurodeputados.

Para atrair turistas para essas zonas menos visitadas, os eurodeputados pediram que a Comissão Europeia inclua, na estratégia para o turismo que vier a apresentar, um "mecanismo de apoio específico para reforçar as ligações por ar, mar ou terra" a essas regiões.

"Outras das medidas recomendadas pelos eurodeputados incluem apoio direcionado ao 'leasing' de veículos elétricos e a infraestruturas de carregamento, mais comboios noturnos transfronteiriços e a rápida implementação de um sistema de bilhetes conjunto que integre serviços ferroviários, aéreos e marítimos", indicou o PE em comunicado.

Além deste incentivo às zonas menos visitadas, os eurodeputados apresentaram também medidas para mitigar o impacto que o turismo excessivo está a ter em determinadas zonas, designadamente a necessidade de se regularem os arrendamentos de curta duração.

Os eurodeputados afirmam que é necessário "fazer mais para prevenir que o crescimento desregulado do arrendamento de curta duração resulte na perda de autenticidade, em problemas de habitação local e na saída de residentes".

Nesse sentido, pediram que seja desenvolvido um novo quadro jurídico europeu para os arrendamentos de curta duração, de modo a permitir que os Estados-membros "limitem o número de noites de estada dos visitantes ou introduzam regimes de autorização ou de limitação por zonas".

Da mesma forma, esta comissão do PE considerou que uma taxa ecológica para o turismo deve ser igualmente ponderada, referindo que algumas cidades e regiões europeias já a implementaram.

"Estas taxas podiam ser uma fonte de financiamento para projetos que beneficiariam os residentes locais e o ambiente. Será útil [que as cidades ou regiões que já as implementaram] pudessem partilhar os resultados dessas iniciativas com os outros países e regiões para se encontrarem maneiras de se investir em turismo sustentável", indicou.

Este relatório, aprovado em comissão com 33 votos a favor, quatro contra e quatro abstenções, será agora votado por todos os eurodeputados, em princípio na próxima sessão plenária do PE, em abril.

Citado num comunicado do PE, o eurodeputado Daniel Attard, que redigiu este relatório, agradeceu o "forte apoio" dado pela comissão ao texto, referindo que visa moldar a estratégia de turismo que vier a ser apresentada pela Comissão Europeia.

O relatório visa "garantir a conectividade para redistribuir os fluxos [de turismo] para lá dos pontos de maior pressão, reforça a cultura como pilar do turismo de qualidade, promove a ação ambiental, impulsiona as competências e a mobilidade e assegura que os arrendamentos de curta duração servem as comunidades, em vez de as explorarem", afirmou.

Este relatório não é vinculativo nem tem força de lei e serve apenas de recomendação à Comissão Europeia.

Siga-nos no 

Artigos Relacionados