O plano inclui um apelo a um cessar-fogo imediato, à suspensão de ataques contra civis e infraestruturas críticas – como instalações energéticas e de dessalinização – e à reabertura do Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o comércio global de energia.
A China anunciou que vai reforçar a “coordenação estratégica” com o Paquistão sobre a crise no Irão, defendendo diálogo e um cessar-fogo, durante uma visita do chefe da diplomacia paquistanesa a Pequim.
Johannes Neudecker/picture-alliance/dpa/AP Images
O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, reuniu-se com o homólogo paquistanês, Ishaq Dar, na terça-feira, para discutir formas de reduzir as tensões regionais e lançar uma iniciativa conjunta de cinco pontos destinada a restaurar a estabilidade no Golfo Pérsico e no Médio Oriente.
O plano inclui um apelo a um cessar-fogo imediato, à suspensão de ataques contra civis e infraestruturas críticas – como instalações energéticas e de dessalinização – e à reabertura do Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o comércio global de energia.
A via marítima tem sido afetada por um bloqueio de facto por parte de Teerão, em resposta a ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel iniciados a 28 de fevereiro, que perturbaram cadeias de abastecimento e os mercados petrolíferos.
Segundo o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi sublinhou que um cessar-fogo é essencial para evitar a propagação do conflito, reduzir vítimas e garantir a segurança das cadeias globais de energia.
“A China está disposta a trabalhar com o Paquistão para ultrapassar dificuldades, eliminar interferências, travar o conflito o mais rapidamente possível e abrir uma janela para negociações de paz”, afirmou.
Ishaq Dar agradeceu o apoio chinês aos esforços de mediação de Islamabade, salientando que o conflito está a afetar de forma particular os países em desenvolvimento.
“Alcançar a paz é uma causa justa e uma prioridade urgente”, declarou, reafirmando a disponibilidade do Paquistão para aprofundar a cooperação com Pequim e promover o diálogo entre as partes.
A visita de Dar, a segunda à China em três meses, ocorre após contactos diplomáticos com países como Arábia Saudita, Turquia e Egito, e num momento em que Islamabade se posiciona como mediador entre Washington e Teerão.
A porta-voz da diplomacia chinesa Mao Ning afirmou que Pequim e Islamabade vão “reforçar a comunicação e coordenação estratégicas” e “promover o diálogo, pôr fim ao conflito e salvaguardar a estabilidade regional”.
Analistas citados pela imprensa chinesa consideram que a cooperação bilateral vai além da crise iraniana, abrangendo também projetos económicos e questões regionais mais amplas, incluindo o corredor económico China – Paquistão.
Ainda assim, especialistas sublinham que o apoio de Pequim deverá ser sobretudo político e diplomático, afastando a hipótese de garantias de segurança formais ao Irão, em linha com a política chinesa de não-alinhamento.
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