Oceanwide Expeditions garante que todos os passageiros que apresentavam sintomas foram retirados do MV Hondius.
Todos os passageiros que apresentavam sintomas de hantavírus foram retirados do MV Hondius, o navio onde morreram três passageiros, anunciou esta quinta-feira a operadora Oceanwide Expeditions, responsável pelo cruzeiro.
Navio MV HondiusMisper Apawu/AP
"Ninguém a bordo apresenta sintomas neste momento", afirmou a companhia de cruzeiros dos Países Baixos em comunicado, após o transporte de três passageiros para Haia.
A empresa acrescentou que as três pessoas, duas sintomáticas e uma assintomática, estão a receber cuidados de profissionais de saúde.
O navio MV Hondius, com pavilhão dos Países Baixos, que se encontrava num cruzeiro pelo Atlântico, navega neste momento de Cabo Verde para as Canárias, Espanha, onde os restantes passageiros e tripulantes vão ser monitorizados antes de serem autorizados a regressar a casa.
Segundo as últimas informações, o grupo total de passageiros a bordo era constituído por cidadãos de "pelo menos 23 nacionalidades", incluindo um português.
O navio está no centro de um alerta internacional desde domingo, quando a Organização Mundial de Saúde anunciou ter sido informada sobre um surto de hantavírus a bordo e a morte de três pessoas.
Entretanto, apurou-se que "dezenas de passageiros" abandonaram o navio de cruzeiro afetado pelo surto de hantavírus a 24 de abril, sem que os contactos fossem rastreados, quase duas semanas após a morte do primeiro passageiro a bordo.
A operadora Oceanwide Expeditions tinha informado anteriormente que o corpo do holandês que morreu a 11 de abril foi retirado do navio na ilha de Santa Helena, território ultramarino britânico no Atlântico Sul.
A mesma companhia afirmou hoje que 29 passageiros abandonaram o navio, mas o Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos estimou o número em "cerca de 40".
As pessoas que saíram do navio para regressarem aos países de origem eram de pelo menos de doze nacionalidades diferentes, indicou a Oceanwide Expeditions.
A empresa disse ainda que havia duas pessoas cujas nacionalidades eram desconhecidas.
As autoridades da África do Sul e da Europa estão a tentar localizar os contactos de todos os passageiros que desembarcaram do navio.
Na quarta-feira, foi divulgado que um homem testou positivo o hantavírus na Suíça, depois de aterrar em Santa Helena e regressar a casa de avião, embora as deslocações exatas não sejam claras.
As autoridades holandesas não confirmaram o paradeiro dos outros passageiros que desembarcaram.
Um britânico foi retirado do navio para a África do Sul a partir da Ilha de Ascensão dias depois, segundo a empresa, enquanto três pessoas, incluindo o médico do navio, foram retiradas quando a embarcação se encontrava ao largo de Cabo Verde e levadas para a Europa para tratamento.
Três passageiros morreram na sequência do surto e vários outros estão doentes.
O surto de hantavírus, uma doença rara transmitida por roedores, a bordo do navio fez três mortos, mas autoridades de saúde internacionais afirmam que o risco para o público em geral continua a ser baixo, uma vez que o germe não se propaga facilmente entre humanos.
"Esta não é a próxima COVID, mas é uma doença infecciosa grave", disse a diretora de preparação para epidemias e pandemias da Organização Mundial de Saúde, Maria Van Kerkhove.
"A maioria das pessoas nunca será exposta à doença", sublinhou.
O vírus geralmente propaga-se quando as pessoas inalam resíduos contaminados de fezes de roedores. Os hantavírus existem há séculos e acredita-se que estão presentes em todo o mundo. A doença ganhou renovada atenção no ano passado, após a morte de Betsy Arakawa, mulher do falecido ator norte-americano Gene Hackman, vítima de infeção por hantavírus no Novo México.
O surto no MV Hondius pode ter tido origem na Argentina.
Investigações detalhadas sobre o surto no navio de cruzeiro estão em curso, principalmente para determinar a origem.
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