Operação de desembarque e repatriamento vai terminar na segunda-feira.
A operação que decorre nas Canárias com o navio afetado por um surto de hantavírus desembarcou e repatriou 94 pessoas este domingo e vai prosseguir e terminar os procedimentos na segunda-feira, disse o Governo espanhol.
Um passageiro espanhol é pulverizado com desinfetante por autoridades espanholasFoto AP
Foram retiradas do barco na ilha de Tenerife, no arquipélago espanhol das Canárias, 94 tripulantes e passageiros de 19 nacionalidades desde as 09:30 (hora local e em Lisboa), segundo um balanço feito numa conferência de imprensa no local pela ministra da Saúde espanhola, Mónica García
Essas 94 pessoas foram transportadas e repatriadas em oito voos para Madrid (14), França (5), Canadá (4), Países Baixos (26), Reino Unido (22), Irlanda (2), Turquia (3) e Estados Unidos (18).
O navio de cruzeiro "MV Hondius" está ancorado desde hoje de manhã no porto de Granadilla, em Tenerife, e os repatriamentos estão a ser feitos a partir do aeroporto Tenerife Sul, localizado a pouco mais de 10 quilómetros.
A bordo do paquete, que esteve de quarentena em Cabo Verde e tem bandeira dos Países Baixos, estavam 147 pessoas de 23 nacionalidades à chegada hoje às Canárias, entre tripulantes, passageiros e pessoal médico da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), segundo dados do armador, a empresa Oceandrive.
Depois dos desembarques e repatriamentos de hoje, haverá mais dois voos na segunda-feira à tarde, um para a Austrália (com seis pessoas) e outro para os Países Baixos (com 18), considerado um "avião vassoura", que levará os passageiros e tripulantes do paquete que, por algum motivo, não seguiram nos voos anteriores.
Deverão ficar a bordo 34 tripulantes, para seguirem viagem e levar o "MV Hondius" até Roterdão, nos Países Baixos, disse a ministra espanhola.
Segundo o Governo espanhol e o armador, o barco vai abastecer em Tenerife durante a manhã de segunda-feira para poder seguir viagem à tarde, logo após os últimos desembarques previstos.
Passageiros e tripulantes, com máscaras e fatos completos de proteção sanitária, foram hoje levados em veículos militares do porto de Granadilla para o aeroporto de Tenerife Sul e foram deixados diretamente na pista, à entrada dos aviões que os transportaram.
Os repatriamentos têm sido feitos com aviões fretados por vários países e outros da União Europeia, ao abrigo do mecanismo europeu de proteção civil.
A operação, coordenada por Espanha, pelos Países Baixos, pela OMS e pela União Europeia, envolve ou envolveu mais de 20 países e é "inédita, de uma envergadura internacional sem precedentes", como a definiu a ministra da Saúde espanhola, Mónica García.
Só por parte de Espanha, estão envolvidos nesta operação em Tenerife cerca de 250 elementos de forças de segurança e 40 militares, além de pessoal médico de organismos do Estado, do serviço regional de saúde das Canárias e da Cruz Vermelha.
Mónica García realçou que a operação hoje nas Canárias decorreu com "total normalidade e total segurança" e que se espera que na segunda-feira termine e o "MV Hondius" saia de Tenerife ao final da tarde.
A OMS confirmou até agora seis casos de oito suspeitos de infeção com hantavírus em pessoas que viajaram neste barco. Três pessoas morreram e nenhum dos doentes ou suspeitos de estarem infetados estavam já a bordo à chegada às Canárias.
O barco viajava desde a Argentina, pelo Atlântico Sul, e suscitou um alerta sanitário internacional no passado fim de semana.
O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infetados. A variante detetada no paquete, o hantavírus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa.
Os sintomas da infeção com hantavírus são, inicialmente, semelhantes aos da gripe, como tosse, fadiga ou dores de cabeça e musculares.
Dependendo da estirpe, o hantavírus pode provocar uma infeção pulmonar ou renal.
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