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Há pelo menos 24 mortos em Ceuta e centenas de pessoas estão a voltar a Marrocos

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Ao longo desta manhã foram retirados do mar mais seis cadáveres.

Pelo menos 24 pessoas morreram afogadas desde quinta-feira ao tentar entrar na cidade espanhola de Ceuta a nado desde Marrocos, segundo fontes policiais de Espanha citadas pela agência EFE.

Milhares de pessoas entraram em Ceuta nos últimos dias
Milhares de pessoas entraram em Ceuta nos últimos dias AP

As mesmas fontes disseram que ao longo desta manhã foram retirados do mar mais seis cadáveres, elevando para 24 o número de mortos confirmados desde quinta-feira, quando milhares de pessoas acorreram à fronteira terrestre e de mar de Marrocos com Ceuta para tentarem entrar no enclave espanhol no norte de África.

Segundo as primeiras estimativas das autoridades policiais espanholas, citadas por diversos meios de comunicação de Espanha, podem ter cruzado para Ceuta cerca de 49.000 pessoas desde quinta-feira.

O Governo de Espanha não avançou até agora com um número oficial.

Vivem em Ceuta cerca de 83.000 pessoas, de acordo com os censos mais recentes da população.

Depois dessa avalanche humana que acorreu à fronteira e entrou em Ceuta, sobretudo na quinta-feira a partir do meio-dia, os meios de comunicação social espanhóis com jornalistas no local estão a relatar que centenas ou até milhares de pessoas estão a regressar a Marrocos.

"Milhares de marroquinos regressam ao seu país. A massa mudou de direção. Agora são milhares os que se avistam na praia marroquina a caminho da sua terra, enquanto os últimos que pretendiam entrar em Espanha estão a fazê-lo entre gritos, por água. São infinitamente mais os que saem do que os que entram agora. A situação parece normalizar-se na fronteira", escreveu o jornal El Pais no local por volta das 11:00 locais (10:00 em Lisboa).

Também imagens transmitidas pelas televisões espanholas mostram que centenas de pessoas estão a regressar ao lado marroquino.

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Ceuta viveu uma crise semelhante em 2021, mas o número de entradas foi substancialmente menor, 10.000 pessoas em 48 horas.

Os meios de comunicação social com jornalistas no lado marroquino da fronteira, na cidade de Fnideq, relataram que houve hoje de manhã "confrontos violentos" na zona, envolvendo centenas de pessoas que tentavam cruzar para o lado espanhol.

O Governo de Espanha enviou as Forças Armadas para apoiar a Guarda Civil em Ceuta na "manutenção da segurança na cidade", assim como um reforço de meios das forças de segurança.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, chegaram hoje a Ceuta, para acompanhar a situação no local.

Por seu lado, as autoridades marroquinas reforçaram os controlos para diminuir a pressão sobre a fronteira.

Os dois governos asseguraram na quinta-feira existir uma boa cooperação bilateral nesta crise, que ambos atribuem a uma operação de redes de tráfico humano.

"As redes de tráfico de pessoas estão a instrumentalizar uma sentença judicial para fomentar o fluxo de migrantes sem documentos, maioritariamente jovens", disse na quinta-feira o Ministério da Administração Interna (MAI) espanhol, num comunicado sobre a situação em Ceuta.

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Relatos de migrantes falam num "efeito chamada" desencadeado por uma sentença do Supremo Tribunal de Espanha do início deste mês segundo a qual pessoas que chegam ao país por mar, de forma ilegal, não podem ser devolvidas imediatamente às autoridades de outro Estado.

Essa entrega a autoridades de outro país só se pode aplicar a quem entra em Espanha "superando os elementos de contenção fronteiriça estabelecidos, como vedações", decidiu o tribunal.

Os partidos de oposição de direita e extrema-direita de Espanha estão também a culpar o governo do socialista Pedro Sánchez por esta crise, apontando políticas como o processo extraordinário de regularização de estrangeiros que já vivem no país que está neste momento em curso.

O Governo já sublinhou que este processo não pode ser responsável pelo que está a acontecer em Ceuta, uma vez que só se pode aceder à regularização extraordinária pessoas que já vivem e trabalham no país.

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