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Ex-conselheiro de PM são-tomense é suspeito em Espanha de burla de 300 milhões de euros

Lusa 16:22
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Foram apreendidos 83 automóveis de alta gama, 48 imóveis avaliados em 10,8 milhões de euros, duas embarcações recreativas, centenas de contas bancárias, relógios e outros artigos de luxo, assim como 178 quilogramas de metais valiosos (como outro e prata) e 314.000 euros em dinheiro.

O ex-conselheiro do primeiro-ministro são-tomense detido esta semana era procurado em Espanha por uma fraude de mais de 300 milhões de euros relacionada com IVA da venda de combustíveis, disse esta quarta-feira a justiça espanhola.

ex-conselheiro do primeiro-ministro são-tomense detido esta semana era procurado em Espanha por uma fraude
ex-conselheiro do primeiro-ministro são-tomense detido esta semana era procurado em Espanha por uma fraude

O homem detido na terça-feira em São Tomé e Príncipe, Ignacio Purcell Mena, de nacionalidade chilena, é suspeito de ser um dos máximos responsáveis de uma organização criminosa que defraudou o Estado espanhol em mais de 300 milhões de euros em 2024 por não declarar o IVA de operações de venda de combustíveis, disseram fontes da Audiência Nacional de Espanha, citadas pela agência de notícias EFE.

Segundo as mesmas fontes, Ignacio Purcell Mena é considerado um dos dois líderes de uma organização criminosa que integrava 38 sociedades, através das quais foi concretizada a fraude em 2024.

O outro responsável pelo grupo criminoso é Juan Pablo S.G., que está em prisão preventiva em Espanha, depois de ter sido detido numa operação em que foram apreendidos 21 milhões de euros em dinheiro e bens e feitas 18 buscas em sete províncias espanholas.

Foram apreendidos 83 automóveis de alta gama, 48 imóveis avaliados em 10,8 milhões de euros, duas embarcações recreativas, centenas de contas bancárias, relógios e outros artigos de luxo, assim como 178 quilogramas de metais valiosos (como outro e prata) e 314.000 euros em dinheiro.

Segundo as fontes citadas pela EFE, a detenção desta semana em São Tomé e Príncipe foi possível pela atuação conjunta, em Espanha, da Unidade de Polícia Judiciária da Audiência Nacional, o Grupo de Localização de Fugitivos da Polícia Nacional e a Direção de Vigilância Aduaneira, através da qual foi possível reconstruir os movimentos do suspeito, identificar os apoios logísticos que tinha no estrangeiro e ativar os mecanismos de cooperação policial internacional.

Ignacio Purcell Mena, detido pela Polícia Judiciária de São Tomé e Príncipe, foi conselheiro especial do primeiro-ministro são-tomense, Américo Ramos, até ao mês passado.

Segundo fontes parlamentares e um documento consultado pela Lusa, Ignacio Purcell Mena tem 54 anos e também havia sido nomeado conselheiro da ex-presidente da Assembleia Nacional, Celmira Sacramento, em agosto do ano passado, mas foi exonerado após o Ministério dos Negócios Estrangeiros ter rejeitado um pedido de emissão de passaporte diplomático a seu favor.

Numa nota publicada hoje no Facebook, a PJ refere que "o detido está indiciado pela prática de vários crimes, correspondentes e igualmente punidos pela lei são-tomense, tais como, organização criminosa, burla, crime contra a fazenda pública, branqueamento de capitais e crime de falsificação de documento comercial".

A PJ refere que a detenção surgiu "na sequência da emissão por parte das autoridades judiciárias espanholas de mandado de detenção internacional/notícia vermelha divulgada pela Interpol".

O primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Américo Ramos, realçou hoje que Ignacio Purcell já não ocupava funções como conselheiro do chefe do Governo quando foi detido.

"Em fevereiro fui alertado pelos órgãos internacionais de polícia [Organização Internacional de Polícia Criminal - INTERPOL] que o senhor Ignacio Purcell foi referenciado como tendo algum aspeto negativo no seu currículo ou procurado pela Interpol, e de imediato procedi à sua exoneração, a 12 de fevereiro, como conselheiro especial do primeiro-ministro", disse o chefe do Governo numa conferência de imprensa.

Américo Ramos explicou que Ignacio Purcell foi apresentado "como investidor e como alguém com capacidade, capaz de mobilizar investimentos para São Tomé e Príncipe".

O primeiro-ministro explicou ainda que foram feitas diligências "junto da unidade da Interpol em São Tomé e Príncipe" e "foi confirmado que não havia nenhuma referência ilícita a Ignacio Purcell a circular nos serviços internacionais da polícia".

Assim, em setembro Ignacio Purcell foi nomeado por Américo Ramos conselheiro especial do primeiro-ministro, confirmou o próprio, salientando: "A minha atuação inicial de nomear o senhor Ignacio Purcell está dentro das minhas competências constitucionais, por isso decidi, no espírito da minha busca de financiamento e investidores para São Tomé e Príncipe, prosseguir em conformidade".

Na declaração, Américo Ramos disse ainda que "a questão está na alçada da Polícia Judiciária e dos tribunais, há separação de poderes, e não há nenhuma interferência do Governo neste processo".

Este é o segundo caso de detenção de cidadãos estrangeiros que exerciam funções de conselheiros de órgãos de Soberania são-tomense.

Em 22 de fevereiro, também a pedido da Interpol, a PJ são-tomense deteve um sueco "pela prática de crimes de ofensas corporais graves, detenção e uso de armas proibidas, violação sexual grave com recurso a administração às vítimas, contra a sua vontade expressa e mediante uso de força, de drogas incapacitantes da sua resistência".

Carlsson Stig Karl-Magnus, nascido em 1964, detinha um passaporte diplomático são-tomense como conselheiro diplomático do Presidente Carlos Vila Nova, que assegurou, após a detenção, que o sueco "tinha um registo criminal limpo" aquando da nomeação para trabalhar em projetos na saúde e segurança marítima no Golfo da Guiné.