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El Mencho: o líder do mais perigoso cartel do México que chegou a ser polícia

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Estava na lista dos homens mais procurados, tanto do México como dos EUA, e foi morto este domingo numa operação conjunta.

Fundador e líder do mexicano Cartel Jalisco Nueva Generacion (CJNG), Nemesio Rubén Oseguera-Cervantes foi pelas forças armadas do México, com a ajuda de operacionais norte-americanos. Os EUA tinham a sua cabeça a prémio por 15 milhões de dólares. 

Imagens do cartaz de recompensa para a captura de El Mencho
Imagens do cartaz de recompensa para a captura de El Mencho U.S. State Department via AP

Conhecido como El Mencho, nasceu a 17 de julho de 1966, em Naranjo de Chila, Michoacán. Filho de agricultores, aos 14 anos já guardava plantações de marijuana, antes de imigrar ilegalmente para os Estados Unidos da América (EUA), nos anos 80. E foi em São Francisco, com apenas 19 anos, que teve o seu primeiro registo na polícia, por roubo e posse ilegal de arma. Aos 22 anos volta à esquadra por venda de estupefacientes. Foi deportado várias vezes para o México, mas a insistência em regressar valeu-lhe uma sentença de três anos numa prisão federal, por tráfico de drogas.

El Mencho
El Mencho Fotógrafo policial não creditado, domínio público, via Wikimedia Commons

Regressado ao México, ironicamente, ingressou na polícia local de Cabo Corrientes e Tomatlán, aos 30 e poucos anos. Não foi sol de muita dura e acabou por juntar-se ao Cartel Valencia/Milenio, inicialmente como guarda-costas/assassino de aluguer. Em 1996, casa-se com Rosalinda González Valencia, uma das irmãs do líder desse clã. El Mencho foi ascendendo na hierarquia do cartel (que se aliou ao Cartel de Sinaloa, de ), quando em 2009 chegou a sua oportunidade de fazer frente aos poderes criminosos instalados, que começaram a perder força na sequência de várias mortes e prisões. El Mencho acaba por criar um grupo dissidente, que declarou guerra aos outros cartéis, num combate que se estendeu às ruas de Guadalajara, para controlar o estado de Jalisco, lê-se numa extensa reportagem publicada pela , em 2017. E assim começa o CJNG. A mesma organização que está a incendiar o México após a morte do seu líder.

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O cartel acabou por tomar o controlo das redes de distribuição de drogas em Jalisco, Nayarit e Colima e começou a aumentar a sua presença no México e no mundo. Apoiado em violência extrema, corrupção e extorsão, rapidamente evoluiu de uma organização de tráfico regional para uma potência do crime organizado, famosa por produzir grandes quantidades de metanfetamina, heroína e cocaína. Segundo o Departamento de Justiça norte-americano, nos últimos anos o cartel também passou a traficar fentanil para os Estados Unidos. O poder bélico do CJNG é igualmente popular. Por exemplo, em 2015 conseguiram derrubar um helicóptero militar mexicano durante uma operação do exército mexicano num rancho onde El Mencho estaria escondido.

A captura de El Chapo, em 2016, abriu espaço para que o CJNG continuasse a crescer. Desde 2017, que El Mencho tem sido indiciado no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito de Columbia. A acusação mais recente, apresentada a 5 de abril de 2022 (e que substitui as anteriores), imputa-lhe os crimes de conspiração e distribuição de metanfetamina, cocaína e fentanil "com o objetivo de importação ilegal para os Estados Unidos”, assim como “uso de arma de fogo durante e em relação a crimes de tráfico de drogas", lê-se na publicada pelo Departamento de Estado. Oseguera Cervantes também estava acusado de operar uma organização criminosa contínua.

Cartaz de recompensa para a captura de El Mencho
Cartaz de recompensa para a captura de El Mencho U.S. State Department via AP

O ano passado, os EUA prenderam o “número dois” da CJNG: Ruben Oseguera-Gonzalez, conhecido como El Menchito e um dos três filhos de El Mencho. Foi condenado a “” por tráfico internacional de drogas e crimes com armas de fogo, nomeadamente a encomenda da morte de mais de uma centena de pessoas, algumas pelas suas próprias mãos. Também em 2025, um dos cinco irmãos de El Mencho, Antonio Oseguera-Cervantes, foi um dos 29 mexicanos pertencentes a cartéis que o México entregou aos EUA para enfrentarem acusações em diversos distritos do país, relacionadas a extorsão, tráfico de drogas, homicídio, porte ilegal de armas, lavagem de dinheiro, entre outros crimes.

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