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Donald Trump e o uso da força na Gronelândia: "Seríamos imparáveis! Mas não vou fazer isso"

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No discurso que proferiu no Fórum de Davos o presidente norte-americano voltou a manifestar a intenção de abrir negociações pelo território. "Nenhum país está em posição de garantir a segurança da Gronelândia, tirando os EUA"

Donald Trump discursou esta quarta-feira no Fórum de Davos, na Suíça, onde abordou, entre outros temas, o polémico caso da aquisição da Gronelândia. Descartou o uso da força, mas considerou que a Dinamarca é "ingrata". Lamentou que os norte-americanos não tivessem tomado conta da ilha depois da 2.ª Guerra Mundial e deixou ainda uma ameaça velada ao Canadá.  

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"Os americanos estão muito satisfeitos comigo", afirmou o Presidente norte-americano na abertura do discurso, destacando o crescimento económico que afirma ser resultado direto das suas políticas no último ano. "Há um ano herdei dos radicais da esquerda Democratas um país morto. Hoje somos o país mais na moda do mundo", disse, sublinhando que os EUA são "o motor económico" do mundo.

Trump dirigiu críticas à Europa, dizendo que "alguns locais" do continente "já nem se reconhecem". "Não quero insultar ninguém, mas isso não é bom. Não estão a ir na direção certa".

Abordando a questão da Venezuela, Trump referiu que o país está a cooperar com Washington e salientou que, só na última semana, os EUA extraíram 50 milhões de barris de petróleo do país. "Estamos a dividir o dinheiro com eles, agradecemos a sua cooperação. Quando o ataque acabou disseram 'vamos fazer um acordo'... mais pessoas deviam fazer isso", considerou.

O chefe de Estado norte-americano destacou, ainda, a liderança do país no campo da inteligência artificial. E criticou o Novo Acordo Verde, considerando-o "o maior embuste da história". "É suposto ganharem com energia, não perder." Explicou que a China vende energia eólica "às pessoas estúpidas que a compram" mas que usam o carvão para consumo próprio.

"Preocupado" com a Europa e de olho na Gronelândia

Trump garantiu "preocupar-se com a Europa", e lembrou as suas origens no continente, ele que é descendente de escoceses e alemães. "Acreditamos imenso nos laços que partilhamos com a Europa é por isso que é importante escolhermos o crescimento económico". Referiu, contudo, que a Europa está "a destruir-se" e que o seu desejo é ver os aliados europeus "fortes".

O presidente dos Estados Unidos falou também tema do momento, a Gronelândia. "Gostavam que dissesse algumas palavras? Tenho muito respeito pelas pessoas da Gronelândia e da Dinamarca. Mas cada aliado da NATO deve conseguir defender o seu território. Nenhum país está em posição de garantir a segurança da Gronelândia, tirando os EUA".

"Se não fossem os EUA na Segunda Guerra Mundial, a Europa agora estaria a falar alemão e um bocadinho de japonês, talvez", afirmou o líder norte-americano. Na mesma linha, explicou que os Estados Unidos deviam ter então garantido a posse do território e foram "estúpidos" ao não o fazer. Acusou ainda a Dinamarca de estar "a ser ingrata" e descreveu a Gronelândia como "um território por explorar". Negou que queira a ilha pelo seu potencial económico, mas sim por questões de "segurança estratégica".

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"São os EUA que podem desenvolver este território e torná-lo seguro para os EUA e para a Europa", afirmou o presidente norte-americano, garantindo que "não seria uma ameaça para a NATO" e acusando a Aliança Atlântica de tratar os EUA de forma injusta. "Damos tanto e recebemos tão pouco em troca". Voltou a dizer que quer negociações para adquirir o território e avisou que os EUA poderiam usar a força na Gronelândia, descartando depois a ideia. "Seríamos imparáveis. Mas não vou fazer isso. Tudo o que queremos da Dinamarca é esta terra."

Trump deixou ainda uma ameaça no ar ao Canadá, que afirmou ser "ingrato" face a Washington. "Mark [Carney, primeiro-ministro canadiano], o Canadá vive por causa dos EUA, lembra-te disso".

Voltou depois a falar da guerra na Ucrânia e a afirmar que travou . Disse que Washington vai "ajudar" a parar um conflito que "não ajuda os EUA", manifestando a crença de que Zelensky e Putin querem um acordo.

Recorde-se que o avião presidencial de Trump teve um "pequeno problema" e foi forçado a regressar a Washington. Só mais tarde é que o republicano pode retomar viagem. Trump é a figura de cartaz do Fórum Económico Mundial, onde o norte-americano planeia ficar dois dias.

Trump regressa a Davos seis anos depois de ter marcado presença no fórum em 2020, durante o seu primeiro mandato na Casa Branca.

*Com Correio da Manhã

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