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Claro que, para Trump, o que está em causa é a tal estância balnear que ele quer construir em Gaza.
A guerra no Irão prossegue com a habitual violência de todas as guerras.
Guerra que, como o secretário de Estado Marco Rubio confessou há dias, é mais uma guerra de Israel do que propriamente dos EUA.
Eles (Netanyahu e o seu bando de criminosos genocidas), disse o equivalente estado-unidense aos ministros dos Negócios Estrangeiros europeus, sempre iriam atacar e os EUA iriam sempre sofrer as represálias iranianas, mesmo que não participassem na ofensiva, logo, o melhor seria juntar forças com os israelitas desde o início dos combates.
E assim foi.
Claro que, para Trump, o que está em causa é a tal estância balnear que ele quer construir em Gaza. Ou seja, as suas oportunidades de negócio, que, julga ele, se tornarão viáveis quando Israel alcançar o seu objectivo de destruir, de uma vez por todas, os seus únicos verdadeiros inimigos na região, que são o regime teocrático iraniano e o Hezbollah (o Hamas, que, apesar de também ser financiado pelo Irão, era uma criação da direita israelita, esse já “foi à vida”).
E é por isso que, ao mesmo tempo que continuam os combates em solo iraniano, já começou a invasão do Líbano.
Que, para além das inúmeras mortes e da destruição que já provocou quer no Irão quer nos países vizinhos e igualmente no Líbano, esta guerra possa ter efeitos gravíssimos para a economia mundial – isto é, prejudicar a vida das pessoas concretas por todo o planeta – é algo que é totalmente indiferente para estes extremistas e belicistas.
Em Portugal, esses efeitos começarão a sentir-se amanhã, segunda-feira, com o aumento do preço do gasóleo. E a esse aumento outros se seguirão. Muitos outros, porque a guerra não parará tão cedo.
Bem pode a liderança iraniana começar a recuar, nomeadamente cessando os ataques aos seus vizinhos, porque Netanyahu e o seu bando de criminosos genocidas sabem bem o que querem, e, a admitir que isso seria possível (e, na minha opinião, não é), não se contentarão com uma solução à venezuelana como Trump pretende.
Porque, efectivamente, Trump quer tão somente defender as suas oportunidades de negócios e tem a sorte (para ele) de esta guerra, como a incursão na Venezuela, ser algo que serve objectivamente os interesses dos poderes de facto estado-unidenses, qual seja: enfraquecer a capacidade económica da China e diminuir a influência chinesa no Mundo.
A colocação de tropas israelitas no território iraniano será apenas uma questão de tempo.
Talvez quando tiver “resolvido” o problema libanês, ou, se calhar, até antes disso.
Todavia, Trump não pode dar-se a esse luxo, porque a opinião pública estado-unidense, incluindo a sua base de apoio MAGA, que já começa a fracturar-se, não o permite.
Daí a “solução curda”.
É certo que os curdos iranianos, com ou sem o apoio dos seus irmãos iraquianos, não estarão tão bem preparados para o combate como o ramo curdo que vive na Síria (que derrotou o Daesh), mas o espírito é o mesmo e não acredito na impossibilidade da existência de formas de cooperação entre esses vários ramos da nação curda.
E a tudo isto acresce o facto indesmentível de que o regime dos ayatolas, internamente, apenas sobrevive pela força da feroz repressão que exerce sobre o povo iraniano.
Existe, portanto, uma probabilidade séria de que esse regime ditatorial e sanguinário venha a ser derrubado.
Não sabemos, porém, o que virá depois. Uma repetição do que aconteceu no Iraque não parece possível porque a população iraniana é muito mais homogénea. Mas nunca se sabe.
Que doloroso dilema estarão seguramente a viver os iranianos, muito especialmente os que vivem no Irão. Como escolher entre dois males?
A suprema ironia, mas uma ironia negra e trágica, é que nada disto poderia ter acontecido (a não ser talvez a incursão na Venezuela e o cerco que está a estrangular Cuba) se a Federação Russa não estivesse enfraquecida – como está – na sequência da desastrosa decisão de Putin de invadir a Ucrânia.
A Federação Russa já mal se aguenta face ao desgaste que está a sofrer numa guerra que entrou no quinto ano de duração, e não pode, por isso, ajudar os seus aliados - e a forma de actuar no Mundo da China não é a da Rússia.
E, entretanto, que faz a impotente União Europeia e os impotentes governos dos seus Estados-Membros?
Nada, ou pior ainda, como fazem os repelentes serventuários de Trump na NATO, colocam-se ao lado de mais uma grosseira violação da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional (em especial do Direito Internacional Humanitário).
Que gritante e ignóbil hipocrisia face ao que tem sido dito e escrito acerca da injustificada invasão - também ela ignóbil - da Ucrânia pela Federação Russa.
Gritante e ignóbil, mas não surpreendente face às posições cúmplices que têm sido e continuam a ser manifestadas perante o inqualificável genocídio da população palestiniana que está a ser cometido em Gaza pelas forças militares israelitas.
No caso português até temos um governo que não se importa de ser olimpicamente ignorado e desprezado por um governo estado-unidense que usa, a seu bel-prazer, a Base das Lages como coisa integralmente sua, ignorando totalmente o acordo que está em vigor no qual estão fixadas as condições de utilização dessa base militar.
E, tal como vem acontecendo de forma sistemática com outros ministros deste governo, incluindo o seu líder, o Ministro dos Negócios Estrangeiros mente. Mente aos portugueses em geral, mas mente também no Parlamento, o Órgão de Soberania que lhe confere a legitimidade para governar.
E isso é mesmo muito grave.
Contudo, como se isso não fosse já suficiente mau, a verdade é que o governo de Luís Montenegro aproveita o facto de a comunicação social e a atenção da generalidade dos portugueses estarem focadas no problema da guerra desencadeada pelos EUA e Israel e nos efeitos que dela irão resultar para todos nós, para prosseguir a sua sanha destruidora contra os direitos dos trabalhadores e se prepara para atacar, uma vez mais, a Segurança Social pública.
Sem esquecer, claro, o que está a ser feito para destruir o SNS.
E, quem sabe, apesar da instabilidade no PSD que os actos desse verdadeiro D. Sebastião dos tempos modernos estão a causar, talvez Luís Montenegro esteja a preparar o pacto de regime com o Chega que Passos Coelho tão veementemente preconiza.
Resolver os reais problemas dos portugueses e ter uma visão estratégica acerca do futuro de Portugal é que não é com eles.
Usando as palavras de uma personagem desempenhada por Nicolau Breyner numa série cómica que passou na televisão portuguesa nos anos oitenta do século XX, que mais nos irá acontecer?
Talvez seja uma vã ilusão, mas tenho a secreta esperança de que a “próxima vítima” nas Américas, ou seja, Cuba, não se irá comportar de forma tão vergonhosa.
É absolutamente vital não deixar permitir por mais tempo a destruição do Estado Social e a deterioração do nível de vida dos portugueses e das portuguesas que é tão propício ao ressurgimento do novo D. Sebastião, ou seja, o verdadeiro herói e líder das Direitas, Pedro Passos Coelho.
Tenho a esperança de que um desses efeitos da esmagadora vitória do Presidente Eleito seja o de podermos voltar a debater, de uma forma racional e com razoabilidade, as soluções técnicas e políticas para os graves problemas do País que já existiam antes destas intempéries, mas que foram seriamente agravados com a eclosão das mesmas.
Como nunca aconteceu desde 25 de abril de 1974, o futuro de todos e todas nós está muito dependente da participação dos eleitores e das eleitoras neste importantíssimo acto cívico.
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