Imagem que circula pelas redes sociais mostra Meloni de lingerie. Primeira-ministra entretanto já veio a alertar para os abusos da IA.
Uma imagem deepfake gerada por inteligência artificial que mostra a primeira-ministra italiana em lingerie deitada numa cama tem estado a circular pelas redes sociais. O 'cenário' não agradou, no entanto, Giorgia Meloni que entretanto já veio a criticar a publicação falsa.
Primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, durante uma reunião com o primeiro-ministro da Albânia em ItáliaRoberto Monaldo/LaPresse via AP
“Andam a circulam por estes dias várias fotos minhas falsas, geradas por inteligência artificial e apresentadas como verdadeiras por algum opositor. Devo admitir que quem as criou até melhorou bastante a minha aparência”, brincou inicialmente numa publicação feita no Facebook na terça-feira. “Mas a verdade é que, para atacar e espalhar mentiras, hoje em dia usa-se realmente de tudo."
Na publicação, Meloni partilhou até a imagem em questão, que entretanto já viralizou e recebeu uma onda de condenação por parte de muitos dos utilizadores que acreditaram tratar-se de uma fotografia genuína.
“É realmente vergonhoso que uma primeira-ministra se apresente nesse estado. Indigna do cargo institucional que ocupa. Ela não tem nenhum senso de vergonha", escreveu um dos utilizadores citado pelo jornal The Guardian.
Na declaração, a primeira-ministra descreveu ainda o episódio como uma forma de cyberbullying e alertou que as imagens geradas por inteligência artificial são uma ferramenta cada vez mais perigosa, capaz e enganar e prejudicar indivíduos.
“As deepfakes são uma ferramenta perigosa, porque podem enganar, manipular e atingir qualquer pessoa. Eu posso defender-me. Muitos outros não. Por isso, uma regra deve sempre ser aplicada: verificar antes de acreditar e pensar antes de partilhar. Porque hoje acontece comigo, amanhã pode acontecer com qualquer um", acrescentou.
O governo de extrema-direita de Giorgia Meloni tem dedicado grande parte da sua agenda aos riscos apresentados pela inteligência artificial e pelas deepfakes. Em setembro do ano passado, Itália tornou-se até no primeiro país da União Europeia a aprovar uma lei que regula o uso da inteligência artificial, estando previsto a introdução de penas de prisão para quem utiliza estas ferramentas para causar danos - incluindo a criação de deepfakes. Além disso, impôs ainda limites ao acesso de crianças.
A lei acabou por ser promulgada após um escândalo num site pornográfico que decidiu publicar imagens manipuladas de mulheres italianas, incluindo de Meloni e da líder da oposição, Elly Schlein. As fotografias em questão eram primeiramente retiradas das redes sociais ou de aparições públicas e alteradas com legendas sexistas. Depois, eram publicadas na plataforma com mais de 700 mil seguidores. Como consequência, as autoridades italianas ordenaram a eliminação do site e os procuradores de Roma abriram uma investigação ao caso por alegadas práticas de crimes, incluindo disseminação ilegal de imagens sexualmente explícitas, difamação e extorsão.
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