Enquanto foi ministro do Comércio, Mandelson encaminhou informações confidenciais ao empresário norte-americano acusado de crimes de tráfico sexual de menores.
Morgan McSweeney, o chefe de gabinete do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, demitiu-se este domingo depois de assumir responsabilidade pela nomeação de Peter Mandelson, antigo ministro e comissário europeu, como embaixador em Washington. O antigo ministro britânico surge nos ficheiros Epstein, o que tem colocado muita pressão sobre Keir Starmer por parte dos seus adversários (e até aliados).
O embaixador do Reino Unido em Washington Peter Mandelson acompanhado de Keir Starmer. Mandelson está envolvido numa polémica dada a sua ligação a Jeffrey EpsteinAP
Documentos que vieram a público recentemente dão conta que, em 2009, Mandelson encaminhou informações confidenciais ao empresário norte-americano acusado de crimes de tráfico sexual de raparigas menores de idade. Na altura era ministro do Comércio do governo de Gordon Brown, que serviu como chefe do governo britânico entre 2007 e 2010.
Em comunicado enviado aos meios de comunicação e citado pelo canal televisivo britânico BBC, McSweeney assume “total responsabilidade” por ter aconselhado o primeiro-ministro Keir Starmer a nomear Mandelson, que o agora ex-chefe de gabinete considera como um mentor. Sweeney disse que a decisão de propor o seu antigo mentor para um cargo tão importante como o de embaixador tinha minado a confiança do povo no Partido Trabalhista, no país e na política, e que a única coisa “honrosa” que havia a fazer era apresentar a sua demissão.
Demissão não alivia pressão
Keir Starmer aceitou o pedido de demissão, mas continua a estar debaixo de fogo tanto no cargo de primeiro-ministro como de líder do Partido Trabalhista.
Segundo o The Guardian, a saída de uma das figuras mais influentes do Partido Trabalhista será um golpe para o governo de Starmer. Apesar da saída de McSweeney, a pressão sobre Starmer provavelmente continuará à medida que são divulgados mais documentos relacionados com Mandelson. Há ainda uma investigação em curso sobre as partilhas de informação confidenciais com Epstein.
Em comunicado o líder britânico afirma ter sido uma “honra trabalhar com Morgan McSweeney” e elogiou o seu sentido de dever. “É em grande parte graças à sua dedicação, lealdade e liderança que conquistámos uma maioria esmagadora e temos a oportunidade de mudar o país”, defende, referindo-se aos resultados das eleições gerais na Grã-Bretanha que deram ao Partido Trabalhista 411 dos 650 lugares no Parlamento.
Na semana passada Keir Starmer admitiu no parlamento que tinha conhecimento da ligação entre Mandelson e Epstein mas afirmou que ninguém sabia “a profundidade e a obscuridade da relação”. No dia seguinte, em outro discurso, pediu desculpas às vítimas de Epstein por ter “acreditado nas mentiras de Mandelson” sobre a relação com o criminoso sexual.
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