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Canadá cancela inauguração conjunta de ponte com EUA devido a taxas

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Em vez da cerimónia bilateral, o Governo canadiano vai realizar uma celebração exclusivamente nacional na sexta-feira, antes da abertura da ponte ao tráfego, prevista para 27 de julho.

O Governo canadiano anunciou ter cancelado a cerimónia conjunta, no final do mês, de inauguração da nova ponte entre Canadá e Estados Unidos, após o anúncio de novas tarifas norte-americanas sobre produtos canadianos.

A Blue Water Bridge liga Port Huron, no Michigan, a Sarnia, em Ontario.
A Blue Water Bridge liga Port Huron, no Michigan, a Sarnia, em Ontario. Paul Sancya/AP

"Dadas as novas ameaças comerciais, não seria apropriado realizar um evento comemorativo entre os dois países", afirmou o ministro da Habitação e Infraestruturas canadiano, Gregor Robertson, num comunicado divulgado na terça-feira à noite.

Em vez da cerimónia bilateral, o Governo canadiano vai realizar uma celebração exclusivamente nacional na sexta-feira, antes da abertura da ponte ao tráfego, prevista para 27 de julho.

A infraestrutura, que liga a província de Ontário ao estado norte-americano de Michigan, tornou-se um dos principais focos de atrito entre Otava e Washington desde o início da atual guerra comercial.

A abertura da ponte chegou a ser colocada em causa no início do ano pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

Em junho, o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, anunciou a inauguração da infraestrutura, que acabou por ser adiada devido ao que foram descritos como problemas técnicos do lado norte-americano, sendo posteriormente confirmada para julho.

Batizada em homenagem à antiga estrela canadiana de hóquei no gelo Gordie Howe, a ponte foi construída entre 2018 e 2026, tem cerca de 2,5 quilómetros de extensão e representou um investimento de 6,4 mil milhões de dólares canadianos (cerca de quatro mil milhões de euros), integralmente financiado pelo Canadá.

O acordo de princípio, divulgado pelo Governo canadiano, estabelece que Otava compromete-se a transferir durante 15 anos um montante equivalente a 50% das receitas líquidas da ponte para um Fundo de Desenvolvimento Económico Estados Unidos--Canadá, controlado exclusivamente pelo Governo norte-americano.

A gestão financeira da infraestrutura já tinha sido motivo de divergência entre os dois países, depois de Trump defender, em fevereiro, que os Estados Unidos deviam deter "pelo menos metade" da ponte, apesar de o projeto ter sido totalmente financiado pelo Canadá.

Na terça-feira, Mark Carney afirmou que o Governo canadiano está preparado para "examinar todas as opções" em resposta às novas ameaças tarifárias anunciadas por Washington.

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