O FBI nunca apresentou acusações relacionadas às declarações feitas nas quatro entrevistas apagadas dos arquivos.
Três memorandos que descrevem quatro entrevistas do FBI em 2019 ficaram de fora dos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América. O que motivou a decisão não é conhecido o The Guardian avança que os memorandos em questão incluem alegações explícitas, porém não comprovadas, de que o atual presidente dos Estados Unidos abusou sexualmente de uma menor no início da década de 1980, com ajuda Jeffrey Epstein.
Donald Trump e Jeffrey Epstein conversam num eventoHouse Oversight Committee
A existência dos documentos foi inicialmente relatada pelo jornalista independente Roger Sollenberger e posteriormente confirmada pela NPR, o que desencadeou uma investigação por parte dos democratas no Congresso.
Em causa estão 25 páginas de anotações dos agentes federais desaparecidas do formulário 302. As quatro entrevistas foram realizadas no verão e outubro de 2019 e as anotações descrevem a relação de uma mulher com Epstein, a alegada vítima disse ter reconhecido Epstein numa foto enviada por uma amiga de infância. Apenas a primeira entrevista, na qual o nome de Trump não foi mencionado, foi divulgada.
Durante as entrevistas a mulher contou que tinha sido abusada por Epstein desde 1983, altura em que tinha 13 anos e morava em Hilton Head Island. Entre os 13 e os 15 anos terá viajado com o pedófilo condenado para Nova Iorque e Nova Jersey. Foi em Nova Iorque que terá sido apresentada a Trump e a um grupo de pessoas próximas de Epstein e, segundo as suas declarações, o líder norte-americano “disse alguma coisa como: ‘Deixa-me ensinar-te como as meninas se devem comportar’” antes de ter tentado abusar sexualmente de si.
A mulher reagiu mordendo Trump que a agrediu de volta e mandou que fosse retirada da sala. Na quarta entrevista, que a mulher não aceitou que fosse gravada, os agentes do FBI voltaram a perguntar se ela se sentia à vontade para dar mais detalhes sobre o seu contacto com Trump ao que terá questionado a pertinência uma vez que “provavelmente não há nada que possa ser feito”.
Durante as entrevistas a mulher também referiu que ouviu Trump a falar sobre “lavar dinheiro em casinos” e que Epstein “chantageou a sua mãe com fotos íntimas” da então menor, o que a levou “desviar dinheiro da sua empresa imobiliária para recomprar as suas fotos e segredos”. A mãe terá acabado por ser presa na Carolina do Sul por peculato.
As alegações não foram verificadas e o FBI nunca apresentou acusações relacionadas às declarações feitas nessas entrevistas, algumas das declarações acabam por contradizer o que se sabe sobre a vida de Epstein no início da década de 1980, especialmente tendo em conta que não é conhecida uma ligação a Hilton Head Island em 2002 Trump admitiu, à revista New York, que conhecia Epstein há quinze anos.
À NPR o Departamento de Justiça garantiu que “nada foi apagado” e que qualquer material retido era duplicado ou confidencial, ainda assim os três documentos em causa contêm uma versão ampliada e pormenorizada das alegações que foram resumidas numa apresentação interna do FBI em 2025. Trump tem negado que a sua proximidade com Epstein signifique que cometeu alguma irregularidade, ainda na semana passada voltou a garantir: “Eu não fiz nada”.
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