Ucrânia: Pelo menos 22 mortos em ataques russos em vésperas de tréguas
A Rússia tinha anunciado unilateralmente um cessar-fogo nos dias 8 e 9 de maio para as comemorações do 81.º aniversário da derrota nazi na Segunda Guerra Mundial.
Pelo menos 22 pessoas morreram esta terça-feira em ataques russos diurnos na Ucrânia, após os anúncios separados de tréguas entre os dois países, que, do lado de Kiev, entra em vigor já na quarta-feira.
Segundo um balanço preliminar, pelo menos 12 pessoas foram mortas em Zaporijia e uma em Nikopol, no sudeste da Ucrânia, e outras cinco em Kramatorsk, no leste do país. Posteriormente, o Presidente ucraniano adicionou quatro mortos em Dnipro.
"É essencial que a Rússia seja forçada a pôr fim a esta guerra", comentou Volodymyr Zelensky nas redes sociais, após o ataque contra aquela cidade no centro da Ucrânia e de ter indicado que o número de vítimas em Kramatorsk, cujo centro foi atingido ao final da tarde, pode ainda subir.
Em Zaporijia, foram lançadas quatro bombas aéreas perto do centro da cidade, matando pelo menos 12 pessoas e ferindo 20, informou à agência France-Presse (AFP) a porta-voz da polícia regional, Anna Tkachenko.
Ataques russos com drones e mísseis de longo alcance já tinham matado pelo menos cinco pessoas durante a última noite na Ucrânia, incluindo socorristas, e ferido outras dezenas, segundo informações de Kiev.
Em reação a estes bombardeamentos noturnos, Zelensky condenou o “puro cinismo” de Moscovo, depois de as autoridades russas terem anunciado unilateralmente um cessar-fogo nos dias 8 e 9 de maio para as comemorações do 81.º aniversário da derrota nazi na Segunda Guerra Mundial, celebrado anualmente com um grande desfile na Praça Vermelha, em Moscovo. "É puro cinismo pedir um cessar-fogo para realizar celebrações de propaganda, enquanto se realizam estes ataques diariamente", criticou.
A Rússia ameaçou lançar um "ataque em grande escala com mísseis" contra o centro de Kiev caso a Ucrânia viole esta trégua. O líder ucraniano respondeu com outra declaração de cessar-fogo, que entra em vigor às 0:00 locais de quarta-feira (menos duas horas em Lisboa), sem especificar a duração. Kiev alertou que responderá "simetricamente" a qualquer violação desta interrupção do conflito.
Em resposta aos bombardeamentos, a Ucrânia intensificou os seus ataques com drones contra a Rússia nos últimos dias e um destes dispositivos chegou a atravessar a fachada de um edifício residencial na zona oeste de Moscovo.
Os anúncios unilaterais de tréguas ocorrem três semanas depois de um cessar-fogo durante as celebrações da Páscoa Ortodoxa, que foi acompanhado de violações nas linhas da frente, embora tenha havido uma suspensão dos ataques aéreos de longo alcance.
Com a guerra na Ucrânia em segundo plano devido ao conflito iniciado em 28 de fevereiro pelos Estados unidos e Israel contra o Irão, as negociações entre Kiev e Moscovo promovidas pelos Estados Unidos não têm conhecido avanços nas últimas semanas.
A última ronda trilateral foi realizada em Genebra, Suíça, em 17 e 18 de fevereiro e terminou com as partes afastadas sobre os temas essenciais das conversações, que dizem respeito ao futuro das regiões reivindicadas pela Rússia no leste da Ucrânia e garantias de segurança a Kiev para prevenir uma nova agressão de Moscovo.
A guerra no Médio Oriente tem beneficiado a Rússia, através do levantamento parcial e temporário das sanções norte-americanas contra o comércio de petróleo russo, como parte dos esforços para conter a alta instabilidade nos mercados mundiais desde o início deste novo conflito.