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Netanyahu recebeu informações sobre os planos do Hamas para invadir o sul de Israel em 2018

Débora Calheiros Lourenço 10 de fevereiro de 2026 às 18:22

Um documento enviado a vários altos funcionários israelitas reforçava a seriedade da ameaça devido ao “alcance do plano e a sua complexidade excecionais”.

Benjamin Netanyahu teve acesso a relatórios da inteligência das Forças de Defesa Israelitas (IDF) que detalhavam os planos de Hamas logo em abril de 2018, avançou o site israelita Ynet. 
Netanyahu informado sobre planos de invasão do Hamas ao sul de Israel em 2018 AP Photo/Alex Brandon
O relatório afirma que, entre 2018 e 2022, o Hamas desenvolveu um plano operacional abrangente para um ataque coordenado em múltiplas frentes contra bases militares e comunidades civis no sul de Israel. Este plano foi compilado num documento, apelidado como “”, que já previa que a fronteira seria ultrapassada em dezenas de pontos e milhares de combatentes sairiam de Gaza.   Segundo o , o primeiro-ministro israelita foi avisado diversas vezes sobre os planos do Hamas. O relatório afirma que a primeira troca de informações com a liderança israelita ocorreu em abril de 2018, quando a Divisão de Investigação da Diretoria de Inteligência Militar distribuiu um documento a altos funcionários, incluindo os secretários militares do primeiro-ministro e do ministro da Defesa, o Conselho de Segurança Nacional, os chefes da Mossad e o gabinete do chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel.   Este documento incluía a questão: “O braço militar do Hamas está a reforçar as suas forças para um ataque em larga escala no nosso território?” e reforçava a seriedade da ameaça devido ao “alcance do plano e a sua complexidade excecionais”.  
Apesar de alguns dos especialistas que contribuíram para o relatório terem expressado dúvidas de que o Hamas pudesse executar o plano na íntegra, alertaram que “o plano ilustra um cenário de ameaça novo e mais amplo do que antes”.   Netanyahu tem negado ter recebido qualquer informação de que o Hamas estivesse a planear um grande ataque durante os anos que antecederam ao 7 de Outubro. Questionado sobre possíveis falhas que tenham permitido o ataque, o gabinete do líder israelita afirmou que “o primeiro-ministro nunca recebeu nem foi informado sobre o documento ‘Muros de Jericó’” até depois do início da guerra e que “nunca lhe foi apresentado qualquer plano do Hamas para um ataque em massa em território israelita”.   Em 2023 o Egito já tinha avançado que avisou Israel sobre os riscos de um possível ataque e os Estados Unidos tinham confirmado os alertas. Michael McCaul, então chefe da Comissão dos Negócios Estrangeiros da Câmara dos Representantes, garantiu: “Sabemos que o Egito avisou os israelitas, três dias antes, de que um evento do género do ataque do Hamas poderia acontecer”. Abbas Kamel, então ministro da Inteligência do Egito chegou mesmo a afirma que telefonou a Netanyahu dez dias antes do ataque para o alertar e ficou chocado com a indiferença de Netanyahu: “Nós avisámos que a situação explodiria muito em breve e seria grande. Mas eles subestimaram esses avisos”.  
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