Estados Unidos revelam plano de paz para o Irão
Entre as condições impostas pelos norte-americanos está a obrigatoriedade do desmantelar as capacidades nucleares do país e comprometer-se em nunca desenvolver armas nucleares.
Donald Trump anunciou, na terça-feira, que os Estados Unidos estão “muito perto de fechar um acordo” de cessar-fogo com o Irão baseado em 15 condições impostas pelos próprios norte-americanos.
De acordo com o republicano, o enviado especial para o Médio Oriente, Steve Witkoff, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o vice-presidente dos EUA, JD Vance, são alguns dos altos funcionários norte-americanos envolvidos no processo.
De acordo com o canal 12, citado pelo The Times of Israel, ambas as partes negociaram um acordo de 15 pontos, apesar de ainda não serem todos conhecidos, para um cessar-fogo que deverá durar um mês e se baseia nas seguintes condições:
1 - O Irão deve desmantelar as capacidades nucleares do país;
2 - Deve comprometer-se em nunca apostar no desenvolvimento de armas nucleares;
3 - Em território iraniano, não haverá enriquecimento de urânio;
4 - Depois de ser definida uma data, o Irão deve entregar cerca de 450 quilogramas de urânio enriquecido a 60% à Agência Internacional de Energia Atómica;
5 - As centrais nucleares de Natanz, Isfahan e Fordo devem ser desmanteladas;
6 - A Agência Internacional de Energia Atómica deve poder supervisionar no interior do país;
7 - O Irão deve abandonar o "paradigma" de representação regional por procuração;
8 - O Irão deve parar com o financiamento e armamento dos seus aliados regionais;
9 - O Estreito de Ormuz, um dos maiores pontos estratégicos do mundo, deve ser reaberto e funcionar como um corredor marítimo livre;
10 - O programa de mísseis do Irão deve ser limitado tanto em alcance como em quantidade;
11 - A utilização futura de mísseis deve ficar restrita à autodefesa;
12 - As sanções ao Irão, impostas pela comunidade internacional, devem ser levantadas;
13 - Os EUA estão dispostos a ajudar o país a avançar com o programa nuclear civil do país, incluindo a produção de eletricidade na central nuclear de Bushehr;
14 - O mecanismo que permite a imposição automática de sanções, caso o Irão não cumpra os acordos, será eliminado.
O Paquistão tem-se afirmado como um possível parceiro para sediar as negociações e confirmou à Associated Press que o Irão recebeu o plano.
Analistas internacionais têm apontado que este plano é baseado na proposta que surgiu de base para as negociações no final de maio de 2025, pouco antes do colapso das negociações nucleares entre os Estados Unidos e o Irão, pelo que pode estar destinado ao mesmo falhanço.
O ministro da Economia de Israel, Nir Barkat, partilhou com a BBC que considerava muito improvável que o Irão concordasse com o plano de 15 pontos, apesar de o considerar “bonito na teoria”. Barkat afirmou que o regime iraniano “não vai mudar” e reforçou que o seu principal objetivo é deixar o Irão “sem armas nucleares, sem mísseis e sem grupos aliados”: “Confio que o presidente Trump e o primeiro-ministro Netanyahu estão alinhados nesses objetivos e os alcançaremos de uma forma ou de outra”.
Os iranianos têm acusado Trump de estar a tentar apenas acalmar os mercados, depois de aumentos consecutivos no preço do petróleo, ao referir que iria suspender os ataques por cinco dias para tentar chegar a um acordo baseado nestes 15 pontos. No entanto o Irão tem negado quaisquer conversações diretas com os norte-americanos. O porta-voz Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irão, principal comando militar do país, referiu que “os norte-americanos estão a negociar consigo mesmo”: “Alguém como nós jamais se entenderá com alguém como vocês. Nem agora, nem nunca”.
Siga-nos no WhatsApp.