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Como Donald Trump está a tornar a China grande outra vez
A imprevisibilidade da Casa Branca está a aproximar os seus parceiros tradicionais da China. Cátia Miriam Costa considera que o gigante asiático "se tem revelado mais estável do que os EUA".
Donald Trump fez toda a sua campanha para regressar à Casa Branca a prometer tornar a América grande outra vez (Make America Great Again, em inglês), mas na realidade a incerteza que tem trazido para as relações com os seus parceiros internacionais tradicionais está a afastá-los e a fazê-los procurar outros países, ajudando-os a também ficarem grandes novamente.
Trump e Xi Jinping encontram-se com as bandeiras dos EUA e China
AP Photo/Mark Schiefelbein, File
Europeus perderam confiança nos Estados Unidos
Uma sondagem do European Council on Foreign Relations, realizada em novembro do ano passado, que ouviu 25.949 pessoas em 21 países indica precisamente que a maioria dos europeus já não considera os Estados Unidos como um aliado confiável e estão abertos à existência de uma relação mais próxima com a China, considerando ainda que é bastante provável que a influência global da China cresça na próxima década. Os inquiridos também consideram que com o afastamento dos Estados Unidos já não existe a necessidade de mantermos o sistema de alianças tradicionais, criando uma ordem global onde os países são mais livres para escolher novos aliados, algo que vai de encontro com o discurso de Mark Carney sobre a existência de uma “nova ordem mundial” em Davos. Também uma pesquisa do The Economist que abrangeu 32 países, no ano passado, mostrou que a preferência pelos Estados Unidos como principal potência mundial caiu de 59% para 46% relativamente a 2024. Já a preferência pela China alcançou os 33%, o que significa um aumento de 11% - em países como o Brasil, Canadá e Indonésia o aumento foi de aproximadamente 20%. Cária Miriam Costa concorda que “enquanto parceiro económico a China se tem revelado bastante mais estável do que os Estados Unidos”, isto porque “os objetivos das relações com a China estão estabelecidos como sendo puramente económicos”. Quanto à questão dos direitos humanos a investigadora reforça que “neste momento os Estados Unidos também não são um parceiro fiável neste campo”, se por um lado tem existido uma repressão interna das faculdades e jornalistas desde que Trump regressou à Casa Branca, por outro “a relação com Israel e a falta de condenação relativa às suas ações em Gaza mostram que não existe qualquer preocupação com a proteção dos direitos humanos”. A realidade é que as ofertas económicas da China se tornam mais atraentes para parceiros que procuram uma alternativa aos Estados Unidos ao mesmo tempo em que a pressão imposta pelos Estados Unidos faz com que seja mais fácil para Pequim coagir os outros países. A especialista considera que “nos últimos anos houve uma tentativa de reaproximação” especialmente tendo em conta as “mudanças geopolíticas do último ano”. “O que é novo aqui é que ao contrário do que acontecia durante a Guerra Fria, quando os blocos se encontravam muito definidos, existem agora acordos pontuais baseados em interesses económicos, mas sem grande expectativas de que exista uma reorganização do mundo devido a estes acordos”, explica Cátia Miriam Costa que acredita que esta nova situação acarreta “o risco de uma desarticulação das cadeias globais”. Cátia Miriam Costa ressalva que “a China já não é a fábrica do mundo para os produtos baratos, mas sim uma fábrica altamente especializada em tecnologia”.Artigos Relacionados
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