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Aos mil dias da guerra na Palestina, Israel controla 80% do país

Marta Rodrigues 02 de julho de 2026 às 18:37

Mantém-se a instabilidade no Médio Oriente, sem o fim da guerra à vista.

Mil dias depois do início da guerra em Gaza, a 7 de outubro de 2023, o futuro dos palestinianos continua incerto. Cerca de 90% do território da Palestina está destruído e as forças israelitas controlam aproximadamente 80% do país. 73.066 palestinianos morreram, dos quais 21.500 eram crianças, e 9.500 continuam desaparecidos, segundo balanço do governo palestiniano.

Guerra Gaza Palestina AP Photo/Jehad Alshrafi

A população vive entre as ruínas ou em acampamentos de tendas com serviços básicos, embora muitos acabem destruídos. Em declarações à Associated Press (AP), Mahmoud Ashour, um comerciante palestiniano de 33 anos, desabafou: “Tínhamos tudo antes da guerra. Agora só queremos algo para comer.”  

A população de Gaza está em extremo risco de fome, com quase 400 mil pessoas a comer apenas uma refeição por dia e 62% dos medicamentos básicos em falta. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o desenvolvimento humano em Gaza retrocedeu 77 anos e a esperança média de vida caiu para os 40 anos.  

A 10 de outubro de 2025, entrou em vigor o cessar-fogo, que fez diminuir consideravelmente os ataques. Ainda assim, desde então, 1.053 palestinianos foram mortos e mais de 3.400 ficaram feridos, segundo o Ministério da Saúde palestiniano. O exército israelita reporta a morte de cinco soldados israelitas, no mesmo período.  

No início do ano, o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, anunciou a criação de um Conselho de Paz, com o objetivo de supervisionar o cessar-fogo e conduzir a reconstrução do país, num plano de três fases aprovado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Contudo, isso não permitiu que o cessar-fogo fosse cumprido e, até agora, não apresentou mudanças significativas. 

“Não existem políticas compartilhadas, nem mesmo uma visão comum”, avançou À Al Jazeera o analista Iyad Jouda, acrescentando que o Conselho de Paz “se desviou do seu propósito principal”, que é “unificar a Faixa de Gaza e a Cisjordânia”. O Conselho está “sem dinheiro”, afirmou, e os milhões de dólares prometidos não foram entregues. 

O cessar-fogo visava o aumento da ajuda humanitária, nomeadamente da circulação de medicamentos e combustível. Contudo, as organizações humanitárias avançam que isso não aconteceu. O responsável da ONU, Tom Fletcher, afirmou no mês passado que “os procedimentos alfandegários e de aprovação israelitas são complicados e limitam o fornecimento de itens essenciais”, acrescentando que “até mesmo as próteses foram afetadas por preocupações sobre um possível uso duplo como armas”. Em agosto, foi declarada uma situação de fome em Gaza, embora o cessar-fogo tenha permitido algumas melhorias.

A instabilidade estende-se a Israel, onde decorrerão eleições em outubro. Mais de 60% dos israelitas consideram que Benjamin Netanyahu não se devia recandidatar, de acordo com dados do Instituto da Democracia de Israel, divulgados pela AP. “A indignação tem sido grande devido às falhas de segurança antes de 7 de outubro, à ausência de uma comissão estatal de inquérito para as investigar e às impopulares isenções do serviço militar concedidas aos parceiros de governo ultraortodoxos de Netanyahu”, explica a AP.

Com Renata Lima Lobo

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