Operação Marquês: O trajeto do dinheiro e a loja de Francisco Canas

Dois milhões de euros, pagos por Ricardo Salgado a José Sócrates, passaram pela loja de Zé das Medalhas. O esquema foi identificado no Monte Branco. Até à próxima sexta-feira, dia da decisão do juiz Ivo Rosa, a SÁBADO vai publicar vários textos que retratam o essencial da acusação e das defesas dos arguidos.

Na sexta-feira, o juiz de instrução Ivo Rosa decide se os arguidos da Operação Marquês vão a julgamento e, se sim, acusados de que crimes. Leia ou releia tudo sobre o esquema da Operação Marquês, um trabalho publicado originalmente na SÁBADO de 14 de outubro de 2017.

Nos interrogatórios de 2012 de Francisco Canas, o procurador Rosário Teixeira quis desvendar de vez um enigma: a identidade dos clientes que apareciam numa extensa lista de Excel apreendida nas buscas iniciais do caso Monte Branco. E manifestou-se desde logo interessado num "Aurélio Alves", que teria movimentado 1.472.388 de euros em notas através do circuito de dissimulação de dinheiro montado por Zé das Medalhas (a alcunha de Francisco Canas) com a colaboração de vários gestores de fortunas suíços que tinham trabalhado no banco UBS.

Francisco Canas começou por responder que nem sequer sabia de quem se tratava, mas quando o procurador lhe disse que parte das transferências para o tal de Aurélio Alves vinham da Green Emerald e da Gunter Finance, o velho cambista (morreu em janeiro deste ano - 2017) ligou estas entidades a um sujeito alto com cerca de 40 anos que ia à sua loja a mando de uma empresa de construção civil. Ou mentiu ou enganou-se redondamente.

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