Operação Marquês

Hélder Bataglia, o homem que entregou Ricardo Salgado

As declarações do empresário foram decisivas para a acusação a José Sócrates e ao banqueiro. Até à próxima sexta-feira, dia da decisão do juiz Ivo Rosa, a SÁBADO vai publicar vários textos que retratam o essencial da acusação e das defesas dos arguidos.

Na sexta-feira, o juiz de instrução Ivo Rosa decide se os arguidos da Operação Marquês vão a julgamento e, se sim, acusados de que crimes. Leia tudo sobre o depoimento de Hélder Bataglia no processo, um trabalho publicado originalmente na SÁBADO de 14 de outubro de 2017.

Na fase final da investigação, a equipa de procuradores liderada por Rosário Teixeira tinha já identificado o fluxo de transferências bancárias com origem no Grupo Espírito Santo e que tinham tido como destinatário final Carlos Santos Silva, o alegado testa-de-ferro de José Sócrates. Nesse processo, identificaram também aqueles que tinham servido de intermediários para esses pagamentos: Hélder Bataglia (presidente da Escom), José Paulo Pinto de Sousa (primo de José Sócrates) e Joaquim Barroca (presidente do Grupo Lena). No entanto, não conseguiam provar que as justificações empresariais apresentadas para essas transferências - supostos negócios em Angola e noutros países - eram falsas. Isso só foi possível após um testemunho-chave, prestado apenas a 5 de janeiro de 2017: o de Hélder Bataglia.

Há muito que os investigadores queriam interrogar o empresário nascido em 1947. Em abril de 2016, o luso-angolano foi mesmo ouvido em Luanda, através de carta rogatória. Na ocasião, confirmou as transferências que lhe foram apresentadas mas negou ter participado em qualquer plano para corromper José Sócrates. E justificou a transferência de quase 9 milhões de euros para uma conta da Gunter Finance, Ltd., um offshore controlado por José Paulo Pinto de Sousa - de quem é amigo há muitos anos - como "empréstimos pessoais" para resolver dificuldades financeiras.

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