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Os vencedores, os derrotados e as surpresas dos Globos de Ouro

"Batalha Atrás de Batalha", "O Agente Secreto" e "Hamnet", no cinema, foram os grandes vencedores. "Pecadores" ganhou um sorriso amarelo, "Frankenstein" e "Wicked" nem isso.

Pedro Henrique Miranda 12 de janeiro de 2026 às 13:47
ASSOCIATED PRESS

Não se pode dizer que a primeira grande cerimónia de entrega de prémios do ano foi particularmente controversa. A 83ª edição dos Golden Globes consagrou filmes, séries e atores que os burburinhos há muito estimavam como os mais prováveis vencedores, mas também deixou de fora alguns títulos cuja derrota não seria, em retrospetiva, tão vislumbrável. 

Os vencedores, os mais falados

Comecemos pelo óbvio: como seria de esperar, Batalha Atrás de Batalha, , foi o maior vencedor no cinema, tanto em nomeações quanto em vitórias. Arrecadou 4 estatuetas: Melhor Filme (Musical ou Comédia), Realizador e Argumento para Anderson e Atriz Secundária para Teyana Taylor, ainda que a distinção de Melhor Ator tenha escapado a Leonardo DiCaprio. 

Essa distinção foi para Wagner Moura, outro candidato bem cotado pela sua performance em . Moura segue as pisadas de Fernanda Torres, que no ano passado venceu Melhor Atriz nestes Globos por , e vinca mais uma grande noite para o cinema brasileiro, que levou ainda Melhor Filme Estrangeiro, uma categoria com muita e boa concorrência: , No Other Choice ou Sentimental Value.

Outra grande vencedora foi Chloé Zhao, a realizadora estimada pelo seu cinema independente (The Rider, ) e que, depois de se estrear no universo cinemático da Marvel, regressa aos filmes pequenos e intimistas com Hamnet, história ficcionada da paixão de Agnes e William Shakespeare. Arrecadou o maior prémio da noite, Melhor Filme (Drama), além de melhor atriz principal para Jessie Buckley, outro nome há muito querido do circuito independente.

De entre os vencedores menores, destaque-se Marty Supreme, o bastante badalado novo filme de Josh Safdie (Good Time, Uncut Gems) que pode não ter feito tanto brilharete quanto poderia, mas não deixou de premiar Timothée Chalamet como Melhor Ator de Comédia; e , que pode ter ficado aquém das sete nomeações que recebeu, mas cujas duas vitórias -- Banda Sonora Original e Conquista Cinematográfica e de Bilheteira (uma espécie de prémio de popularidade) -- soam a distinção honorária.

Longe da fantasia

Se se diz que a popularidade das escolhas dos Óscares serve de contrapeso à aura elitista dos festivais de cinema, sabe-se bem de que lado se situam os Globos de Ouro. Foi Só Um Acidente, filme iraniano de Jafar Panahi e vencedor do maior prémio de cinema da Europa, a Palma de Ouro de Cannes, pode ter conseguido quatro nomeações mas saiu de mãos a abanar desta competição.

De resto, é possível que os votantes desta edição tenham privilegiado o realismo sobre a fantasia, já que não houve muitas estatuetas a atribuir ao mundo do mágico e fantástico. Foi assim com o novo Frankenstein, de Guillermo del Toro, e , o segundo capítulo do díptico galardoado nos Óscares, ambos com cinco nomeações e nenhuma vitória, ou Bugonia, do grego Yorgos Lanthimos, cuja combinação de assinatura entre o real e o surreal parece estar a perder fulgor.

No caso de , a despedida de James Cameron da trilogia inicial de um mundo épico que bateu recordes de receita e bilheteira, o cenário foi ainda mais dantesco: apenas uma nomeação, nenhuma estatueta.

Na TV, distribui-se o bem e o mal pelas aldeias

No mundo da televisão, onde se costuma contar vitórias mais pelas plataformas do que pelos títulos em si, pouco parece ter mudado. Os pequenos continuam pequenos, com apenas uma mão cheia de nomeações a ser distribuída por Prime Video, Paramount, Peacock e Hulu, e, entre os grandes, não houve vencedores, na medida em que quase todos foram vencedores e cada um deles teve a sua quota parte de derrota.

Para The Pitt, a série que revitalizou os dramas de hospital, bastaram duas nomeações para sair a sorrir: venceu Melhor Série de Drama e Melhor Ator de Drama para Noah Wyle. A HBO, que distribui The Pitt em Portugal, levou ainda Melhor Atriz para Jean Smart na comédia negra Hacks.

Para a Netflix, este ano, o equivalente foi Adolescência, que em quatro episódios fez mais do que outras em muitos mais: com cinco nomeações em quatro categorias, levou tudo a que tinha direito, vencendo Minissérie ou Filme para a Televisão e três categorias de atuação para Stephen Graham (também criador e argumentista), Erin Doherty e o jovem Owen Cooper.

Na AppleTV, a grande vitória foi para que alavancou a paixão de Hollywood por si própria para ser galardoado com Melhor Comédia e Ator de Comédia para o protagonista, Seth Rogen. Há que destacar ainda a noite de , que viu a sua protagonista, Rhea Seehorn, ser aclamada Melhor Atriz de Drama.

O problema é que, para estes estúdios, onde houve vitórias houve também derrotas -- em particular para séries mais antigas, que já não contam com o fator novidade. Partindo para a noite na liderança das nomeações, com seis, a série antológica sensação da HBO Max, The White Lotus, não venceu nenhuma, mostrando sinais de saturação à terceira temporada. Ainda na segunda, Severance, que parecia destinada a vitórias quando os novos episódios estrearam na AppleTV, também não passou das 4 nomeações.

Mesmo a FX, que tinha em The Bear a sua galinha de ovos de ouro, não viu a conversão das três nomeações para a quarta temporada em prémios. No caso da Netflix, as suas duas outras grandes apostas, com três nomeações cada, também saem de mãos vazias: a segunda temporada de Ninguém Quer Isto está vista, e a sétima temporada de Black Mirror, outrora apontada como ficção científica visionária, parece ter perdido vigor num mundo em que o futuro é já o presente. 

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