Entrevista de vida

Adriano Luz: “Não conheci o meu pai. O teatro e a ficção funcionam como terapia”

Adriano Luz: “Não conheci o meu pai.  O teatro e a ficção funcionam como terapia”
Raquel Lito 01 de janeiro

Podemos vê-lo em streaming, com dois vilões: na primeira série portuguesa da Netflix, Glória, e em Auga Seca na HBO. Natural do Porto, o ator diz-se moldado pela figura materna. Começou em 1978, no teatro da Comuna, e tão cedo não pensa em reforma.


O ponto de encontro é em Azeitão. É ali que vive Adriano Luz, desde muito antes de a pandemia ditar a moda de ir para o campo. Foi há 17 anos que o ator deixou o apartamento da Alta de Lisboa, motivado pela mulher (a também atriz Carla Sá). Com os sucessivos confinamentos, realça as vantagens da escolha. Passeia pela serra com os três cães, cumpre o teletrabalho e, numa manhã mais tranquila, fala com a SÁBADO. A entrevista começa numa sala da Wine Corner, da Casa Museu José Maria da Fonseca (só bebeu água), e prossegue no largo do Pelourinho, aonde vai com regularidade. Passaram-se 43 anos desde as primeiras incursões no teatro  – a medo e com dores de barriga – até chegar a diretor artístico da SP Televisão e, agora, à Netflix.

Está no streaming, em simultâneo, com dois vilões: Alexander Petrovsky de Glória, na Netflix; e Lázaro de Auga Seca, na HBO Portugal. Como gravou ambos em plena pandemia?
Tudo o que fizemos durante a pandemia foi uma experiência de sobrevivência do setor, de conseguir levar um projeto avante. Sobre Glória, tenho um profundo orgulho de ter participado na série. A Netflix nunca lá esteve, não foi intrusiva. Dialogou muito sobre o guião e foi vendo o material. Como é que nos avalia? Vai ao IMDB [portal de cinema] e vê a expressão internacional. O Tiago [Guedes, realizador] tinha sido distinguido em Veneza com A Herdade [2019]. Isto pesa. Não me posso esquecer que fizemos aquilo com surtos. Numa aldeia que serviu de décor, houve um surto e não nos pôde receber.

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