Missão: salvar o Montepio do abismo

Missão: salvar o Montepio do abismo
Bruno Faria Lopes 22 de novembro

Quatro listas disputam o poder na Associação Mutualista Montepio Geral, cuja situação financeira não tem parado de se degradar - e que representa um risco para os mutualistas e para os contribuintes.

Numa reunião recente da assembleia-geral da Associação Mutualista Montepio Geral, o economista Eugénio Rosa confrontou a direção com a atribuição de um Audi Q7 a uma diretora do banco Montepio, um carro de 100 mil euros. Parte da resposta durante a reunião foi que o carro em leasing, (fazia parte do pacote remuneratório), não tinha o valor de 100 mil euros – custava 80 mil.

“O que importa não é tanto a poupança que viria dos cortes nestes gastos”, diz Eugénio Rosa, que lidera uma das listas às eleições no próximo mês para a liderança da Mutualista. “É o caráter simbólico de comprar carros destes num banco que acumula prejuízos e despede trabalhadores”, acrescenta. O simbolismo estende-se a outros indicadores. O banco tem 16 administradores, oito executivos e oito não executivos, o mesmo que a muito maior Caixa Geral de Depósitos. Mesmo após o emagrecimento iniciado de 2020, o Montepio tinha mais 450 pessoas do que em 2015, mostram os relatórios e contas – 91 das quais na categoria de diretor.

Os gastos com a gestão de topo não são o cerne do problema do banco. Estão, contudo, em contraste com a prolongada situação difícil da instituição e, por arrasto, com a muito delicada situação do seu acionista, a Associação Mutualista Montepio Geral. As eleições para determinar quem manda na maior mutualista do País vão ocorrer em dezembro num contexto em que a espada continua a pender sobre as poupanças dos seus associados – e em que a Mutualista continua a ser uma ameaça para os contribuintes. “O Montepio é um elefante no meio da sala”, aponta uma fonte ligada à instituição.

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