Justiça

Joe Berardo e a família estiveram meses sob escuta

O Ministério Público quis perceber como foi possível, com quase 1.000 milhões em dívidas, pôr o património a salvo dos credores. Como conseguiu o dinheiro, os esquemas para o proteger e a vida de milionário.

Comandados pelo juiz Carlos Alexandre – que presidiu aos interrogatórios de Joe Berardo e do seu advogado, André Luiz Gomes – 138 inspetores da Polícia Judiciária, 27 elementos da Autoridade Tributária, mais nove procuradores e sete juízes de instrução realizaram, na passada terça-feira, várias buscas na região de Lisboa, Funchal e Setúbal. Além das casas dos principais suspeitos, as equipas desdobraram-se ainda em recolha de documentação em empresas e nos três bancos envolvidos nas concessões de crédito ao comendador, Novo Banco, Millennium bcp e Caixa Geral de Depósitos.

Foi o mesmo juiz que, nos últimos meses, pôs Joe Berardo e os filhos, Renato e Cláudia, sob escuta telefónica, na sequência de um pedido da procuradora Inês Bonina. Renato Berardo tem, nos últimos anos, aliás, assumido a gestão de vários negócios do pai. De acordo com informações recolhidas pela SÁBADO, o objetivo da investigação passará mais por identificar com clareza as engenharias jurídicas e financeiras que têm permitido a Joe Berardo manter grande parte do seu património a salvo de processos de arresto e penhoras por incumprimentos de dívidas.

Com o seu advogado, André Luiz Gomes, também detido na passada terça-feira, o comendador terá mantido longas conversas ao telefone, as quais terão permitido aos investigadores recolher importantes informações sobre como Berardo tem conseguido colocar o seu património mais valioso – como a célebre coleção de arte contemporânea – a salvo dos bancos credores.

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