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As piores consequências da seca explicadas por quem as vive

Lucília Galha
Lucília Galha 11 de fevereiro de 2022 às 07:00

Os porcos de Nuno Faustino emagreceram "15 a 20 quilos". Os pastos de Rui Sousa estão amarelados. Não vai faltar água nas torneiras, mas pode sentir diferença no supermercado. Há risco de este ano não haver produção de pera-rocha. O que acontece se a falta de chuva não se resolver nas próximas semanas?

Nuno Faustino já sentiu diferença nos porcos que criou este ano. A olho nu, pode até não ser visível, mas os animais são menos pesados do que o habitual. Falar-se de “15 a 20 quilos num porco é muito”, diz à SÁBADO. O criador do chamado porco alentejano de montanheira – animais que nos três meses antes do abate se alimentam só de bolota e erva – conhece as razões. É a conjugação de três coisas: falta de água, tempo seco e temperaturas elevadas para a época. “Os porcos comem menos porque têm de se deslocar mais para comer, não há erva, a própria bolota está mais seca e menos apetecível. Como o terreno está áspero, dificulta a caminhada. Estamos a falar de animais pesados – de mais de 100 quilos. Não havendo frio, o animal também não tem tanta predisposição para comer para formar gordura adiposa”, detalha. Até a qualidade da carne pode ser inferior – sem erva, é preciso dar-lhes ração.

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