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Mundial'2026: Argentina foi ao 'fundo da alma' de Messi resgatar os 'quartos'

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Eliminou o Egito nos oitavos de final.

A Argentina perdia por 2-0 a oito minutos do fim, perante um grande Egito, mas foi resgatar ao 'fundo da alma' de Lionel Messi um incrível triunfo por 3-2 e um lugar nos 'quartos' do Mundial2026 de futebol.

Messi celebra vitória da Argentina
Messi celebra vitória da Argentina AP

Quando os 'faraós' já contavam os minutos para a festa, face aos golos de Yasser Ibrahim, aos 15 minutos, e Mostafa Zico, aos 67, e ao facto de terem um 'intransponível' Mostafa Shobeir na baliza, os sul-americanos ainda foram a tempo de conseguir uma das mais épicas vitórias da sua história.

Messi, que tinha falhado um penálti, aos 21 minutos, o segundo na prova, fez um centro perfeito da direita para o central Cristian Romero, já como ponta de lança, reduzir, aos 79, e, depois, aos 83, 'fuzilou' o guarda-redes 'faraó', para o empate.

Depois de trepar desde o 'fundo do poço', a Argentina acabou por dar a estocada final já nos descontos, aos 90+2 minutos, num contra-ataque fulminante: Julián Alvarez lançou Lautaro Martínez, que centrou da direita para o cabeceamento perfeito do ex-benfiquista Enzo Fernández, longe do alcance de Shobeir.

Até final, a Argentina fez 'marcha atrás', com as entradas do ex-capitão do Benfica Nicolás Otamendi e de Facundo Medina, e segurou com as últimas forçar o triunfo, numa altura em o Egito já não tinha Haissem Hassan e Mostafa Zico para contrapor.

Os tricampeões mundiais (1978, 1986 e 2022) continuam, assim, na corrida à revalidação do centro, o que ninguém consegue desde o Brasil (1958 e 1962), mas, depois do sofrimento com Cabo Verde (3-2, após prolongamento), ainda tiveram de penar mais.

Quanto ao Egito, que já quase sentia a mais importante vitória da sua história em Mundiais (nunca chegara aos 'quartos'), sai de cena de cabeça bem alta, num dia em que só pode lamentar o 'azar' de Messi nunca deixar a Argentina desistir.

Os campeões do mundo entraram com três novidades em relação aos '16 avos', com Tagliafico, Paredes e Álvarez a substituírem Medina, Almada e Lautaro, enquanto, no Egito, Lasheen e Hassan entraram para os lugares de Fathy e Marmoush.

Os africanos começaram bem, personalizados, a pressionar a Argentina muito alto e conseguiram adiantar-se no marcador aos 15 minutos, na sequência de um canto, com Attia a centrar da direita e Yasser a antecipar-se a Lisandro e a marcar de cabeça.

A resposta da Argentina foi rápida, com Taglifico a ser carregado na área por Hassan, aos 19 minutos, só que, pela segunda vez consecutiva no Mundial2026, Messi falhou um penálti, aos 21, atirando mal, para a defesa de Shobeir, sobre a esquerda.

Os argentinos ainda não estavam, porém, a jogar bem, o que só aconteceu após a paragem para hidratação, construindo mais uma grande oportunidade aos 28 minutos, com De Paul a fazer um centro perfeito da direita e Mac Allister a cabecear à figura de Shobeir.

Messi voltou a tentar, mas, aos 31 minutos, o seu livre direto embateu no poste direito, com Shobeir aparentemente a controlar, e, aos 38, falhou completamente o alvo, também de fora da área.

Pouco depois, aos 39 minutos, a Argentina teve mais uma enorme ocasião para o empate, com Paredes a lançar Tagliafico na esquerda e este a colocar de primeira no coração da área, onde aparecer Álvarez a desviar para um grande defesa do guarda-redes africano.

Os sul-americanos continuaram instalados junto à área contrária no início da segunda parte, mas, com grandes dificuldades em entrar, começaram a rematar de fora - De Paul (47 minutos) e Paredes (53) não criaram perigo.

Aos 58 minutos, num magnífico contra-ataque rápido, conduzido por Hassan, continuado por Salah e finalizado por Zico, o Egito chegou ao segundo golo, mas o lance foi anulado por uma falta de Fathy sobre Lisandro no início da jogada.

Não valeu à primeira, valeu à segunda, aos 67 minutos, numa jogada muito similar: após um canto para a Argentina, Salah arrancou pelo meio, lançou na direita Hassan, que, foi à linha e tocou atrasado para o remate imparável de Zico.

Scaloni já tinha lançado Nico González e Lautaro, e apostou depois em Montiel, com Romero já como ponta de lança, enquanto o Egito teve de abdicar do desgastado Hassan, e depois de Zico.

A Argentina não conseguia criar perigo, mas aos 79 minutos, Messi, sistematicamente solicitado, cruzou da direita de forma perfeita, com o seu pé esquerdo, e Romero respondeu com um cabeceamento que Shobeir não desviou o suficiente.

O jogo estava relançado e Messi não dava descanso aos egípcios, protagonizando aos 82 minutos uma grande jogada na direita, culminada com um cetro preciso para Lautaro falhar de cabeça.

Um minuto volvido, o '10' voltou, porém, à carga, com novo centro da direita, para Lautaro ganhar ao segundo poste e, sem querer, Montiel amortecer para o 'tiro' indefensável do 'inevitável' Messi, aos 83 minutos, para o oitavo golo na prova.

Em quatro minutos de loucura, a Argentina resgatava um jogo que parecia perdido e, numa altura em que o Egito procurava o terceiro tento -- Paredes fez um corte incrível, aos 90+1 minutos -, selou a reviravolta em contra-ataque.

Álvarez lançou a corrida de Lautaro, que recebeu a bola na direita, temporizou e depois centrou de forma perfeita para o cabeceamento de Enzo Fernández. Estavam decorridos 90+2 minutos e ainda foi preciso sofrer, mas a Argentina soube fazê-lo.

Jogo no Estádio Mercedes-Benz, em Atlanta, nos Estados Unidos.

Argentina - Egito, 3-2.

Ao intervalo: 0-1.

Marcadores:

0-1, Yasser Ibrahim, 15 minutos.

0-2, Mostafa Zico, 67.

1-2, Cristian Romero, 79.

2-2, Lionel Messi, 83.

3-2, Enzo Fernández, 90+2.

Equipas:

- Argentina: Dibu Martínez, Nahuel Molina (Gonzalo Montiel, 73), Cristian Romero (Nicolás Otamendi, 90+5), Lisandro Martínez, Nicolás Tagliafico (Nico González, 66), Leandro Paredes, Alexis Mac Allister, Enzo Fernández, Rodrigo De Paul (Lautaro Martínez, 66), Lionel Messi e Julián Álvarez (Facundo Medina, 90+5).

Selecionador: Lionel Scaloni.

- Egito: Mostafa Shobeir, Mohamed Hany, Yasser Ibrahim, Ramy Rabia, Karim Hafez, Marwan Attia, Mohsnad Lasheen (Zizo, 90+6), Emam Ashour (Hamdi Fathy, 46), Haissem Hassan (Trezeguet, 73), Mohamed Salah e Mostafa Zico (Omar Marmoush, 80).

Selecionador: Hossam Hassan.

Árbitro: François Letexier (França).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Mostafa Shobeir (90+3), Hamdi Fathy (90+4), Marawan Attia (90+8) e Haissem Hassan (depois do final do jogo). Cartão amarelo para o treinador do Egito, Hossam Hassan (90+9).

Assistência: 68.239 espetadores.