Tanto o regulamento da FIFA como o da UEFA permitem que jogadores com desfribilhadores participem nas suas competiões, mas depois do episódio de 2021 foi obrigado a abandonar Itália.
Todas as pessoas que estavam a assistir ao Dinamarca-Finlândia durante a fase de grupos do Europeu de 2020 se recordam da forma como Christian Eriksen caiu inanimado no relvado devido a uma paragem cardiorrespiratória que interrompeu a partida durante quase uma hora enquanto o jogador dinamarquês foi socorrido, reanimado e levado para o hospital.
Bo AmstrupRitzau Scanpix via AP
Mais tarde soube-se que Eriksen sofreu uma paragem cardiorrespiratória e foi-lhe diagnosticado uma doença cardíaca que aumenta o risco de arritmias graves e morte súbita, pelo que lhe foi colocado um desfibrilhador para permitir que voltasse a viver com alguma normalidade e até que voltasse a jogar futebol logo na época seguinte. Este domingo, 7 de junho, decorria o jogo particular entre a Dinamarca e a Ucrânia quando o jogador caiu inanimado no relvado e o jogo foi dado como terminado por acordo de ambas as equipas.
O médico da seleção dinamarquesa, Morten Boesen, referiu que “o pacemaker respondeu como devia”. Desta forma, Eriksen “esteve brevemente inconsciente, mas recuperou a consciência muito rápido”. “O que vai acontecer agora é a análise do pacemaker, porque este pode revelar qual foi a causa subjacente. Ele recuperou a consciência bastante rápido. Penso que o aparelho fez aquilo para que foi programado: trazê-lo de volta”, afirmou o médico.
Menos de 24 horas depois do susto o próprio meio-campista reagiu ao sucedido afirmando nas redes sociais: “Quero que todos saibam que estou bem, em casa e com a minha família. Como podem imaginar, o CDI [desfibrilhador interno] teve um grande impacto em mim e na minha família, mas quero assegurar que esta foi uma situação diferente daquela que aconteceu em 2021”. “Além de estar grato pelo apoio e ajuda de todos os jogadores e da equipa médica em campo, também estou incrivelmente agradecido aos médicos que cuidaram de mim e do meu coração ao longo dos anos. Graças a eles, o meu CDI fez exatamente o que era esperado: proteger-me quando foi necessário”, referiu ainda.
Como funciona o pacemaker
O dinamarquês utiliza um desfibrilhador cardiodesfibrilador implantável, um pequeno aparelho colocado no tórax, por baixo da pele e que é alimentado por uma bateria. Este aparelho está ligado ao coração e monitoriza os batimentos cardíacos de forma a emitir um choque elétrico automático se identificar um ritmo perigoso, prevenindo a morte súbita e tentado restaurar o nível regular, o que ocorreu no passado domingo.
Durante muitos anos os doentes com CDI foram aconselhados a não participar em desportos de alta intensidade, no entanto as orientações mais recentes defendem que cada caso seja avaliado individualmente. A realidade é que na época de 2020/2021 Eriksen jogava na Serie A italiana, no Inter de Milão, e, depois do primeiro incidente, Francesco Branconaro, membro da Federação italiana de Futebol, anunciou que o médio não poderia jogar em Itália tendo em conta os regulamentos da Serie A: “Nestas condições, o Eriksen não terá autorização para jogar. Isso só poderá acontecer se a patologia do jogador for resolvida e o respetivo desfibrilhador for retirado”.
Com as portas fechadas em Itália, Christian Eriksen passou pelo Brentford, Manchester United – em Inglaterra - e, esta época, pelo Wolfsburg – na Alemanha - que acabou por ser despromovido.
Em Portugal seria também possível continuar a jogar depois de colocar o aparelho uma vez que a Federação Portuguesa de Futebol segue as diretrizes da UEFA, que não impedem a inscrição do atleta, desde que passe nos exames médicos obrigatórios.
Tanto a UEFA como a FIFA permitem que jogadores com CDI participem nas suas competições, no entanto a aprovação final é sempre dependente da autorização de especialistas e depende da legislação de cada país.
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