Sábado – Pense por si

Dicas para ensinar o valor do dinheiro às crianças

Desde quando se deve começar a falar com crianças sobre dinheiro? E dar semanadas é benéfico a partir de que idade?

Quem nunca ouviu dos pais, ou proferiu aos filhos, a célebre frase "o dinheiro não cresce nas árvores"? Falar de dinheiro às crianças pode ser um tema difícil - muitas vezes não as querermos preocupar -, mas por outro lado abordar o assunto desde cedo pode ajudá-las a desenvolver uma relação mais saudável com o "vil metal" e perceber que é preciso fazer escolhas. Até porque, segundo outro clássico da "liturgia" parental, ele "não cai do céu".

Crianças a brincar
Crianças a brincar BBC Creative/Unsplash

E as primeiras conversas podem acontecer logo a partir dos três anos. O deixa algumas dicas de como falar sobre o assunto com os mais jovens.

Entre os 3 e os 5 anos

Nestas idades as crianças observam os adultos, que "compram" e "pagam" bens ou serviços no supermercado, nos restaurantes ou nas lojas. Pode-se ajudar a identificar notas e moedas e explicar genericamente para que servem. É também saudável incentivar atividades como "brincar às lojas", de modo a levar a criança a perceber, de facto, para que serve o dinheiro. 

Dos 6 aos 9 anos

Nesta fase as crianças têm maior consciência das suas escolhas e podem ser ajudadas a optar pelo melhor caminho. Oferecer uma pequena semanada fará a criança sentir-se "crescida", dona do seu dinheiro. É normal gastarem tudo de uma vez ou arrependerem-se de uma compra, mas faz parte da aprendizagem. O importante é que compreendam as consequências das suas escolhas.   

Dos 10 aos 12 anos

Entra nesta faixa etária a noção de que o dinheiro dos pais não é ilimitado e que não se pode comprar tudo. Deve-se incentivar a comparação de preços, perceber que, se se decide comprar uma coisa terá de se abdicar de outra, ou que poupar para um objetivo maior poderá ser vantajoso. Pode-se passar da semanada para mesada, dependendo das crianças. 

Dos 13 aos 15 anos

Aqui é preciso aprender a resistir à pressão social. O amigo que tem o telemóvel melhor, o anúncio na televisão ou nas redes sociais, os influencers que dizem maravilhas deste ou daquele produto, são tudo fatores que podem levar a compras por impulso. Nesta fase, explica o Doutor Finanças, é importante o jovem perceber que há uma diferença entre desejos e necessidades, de modo a desenvolver um pensamento crítico e a fazer escolhas mais conscientes.    

Dos 16 aos 18 anos

Nesta fase a independência financeira ganha outro peso, seja através de uma mesada mais generosa ou por trabalhos em regime part-time. Aparecem outras despesas, mas é importante fazer ver que pequenos gastos repetidos podem condicionar o orçamento disponível. Um bom planeamento dos gastos contribuiu para uma boa autonomia financeira.