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Bruce Dickinson já foi piloto, escritor, empresário e esgrimista. Atualmente dá também palestras sobre inteligência artificial a convite da Microsoft. Fomos ouvi-lo.
No Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, centenas de pessoas com interesse em inteligência artificial, dados e inovação digital pararam para ouvir um orador muito especial. Contracenando com o dress code formal da plateia subiu ao palco um sexagenário de gorro largo, cardigan larga e preto de cabeça aos pés. O seu nome é Bruce Dickinson, dono de uma empresa de sucesso de reparação de aviões e que, "nos tempos livres", canta para uma das maiores bandas de metal da história.
Luís Manuel Neves/Record
Nos ecrãs atrás de Dickinson lia-se "From rockstar do businessman" ("De estrela de rock a empresário") e o patrocínio da Microsoft. A sua palestra está inserida no programa do Building The Future 2026. E apesar de se prometer que a sua participação seria sobre tecnologia, Dickinson passou os 30 minutos a falar sobre interações humanas e a contar anedotas da sua vida pessoal e profissional.
Ao longo de toda a palestra, Dickinson teve uma teoria básica: a inteligência artificial e a tecnologia nunca vão substituir a experiência humana. Escrever música com um computador não é igual a fazê-lo com amigos, conversar com uma máquina não é tão interessante quanto discutir com um estranho e os algoritmos podem atingir a perfeição, mas não a "magia" inerente ao que é humano.
“A tecnologia pode ajudar, mas não consegue criar aqueles pequenos erros humanos que tornam algo real”, exemplificou Dickinson, num dos exemplos que tem sido mais usado por músicos que não abominam a IA. Deu o exemplo do seu mais recente álbum a solo, gravado quase totalmente ao vivo. Para o músico, optar por um processo direto e menos dependente de tecnologia permitiu capturar momentos que a tecnologia não consegue emular: "Uma grande atuação é um momento mágico. Acontece uma vez e nunca mais se repete" e é por isso que os fãs continuam a ir a concertos em vez de ver o concerto no YouTube ou ouvir apenas o disco.
Dickinson reforçou igualmente a ideia de que o que é importante é garantir que se dá ao público aquilo que ele quer e se reforça a relação com qualidade e cuidado. "Porque se não, eles acabam por comprar discos dos Metallica", disse, arrancando uma gargalhada na sala. O vocalista fez a distinção: "Nós não queremos clientes, queremos fãs e para isso temos de trabalhar. Um cliente é alguém que pode simplesmente ir embora. Um fã é alguém que acredita naquilo que fazemos e continua lá". E os fãs só se conquistam com interações humanas genuínas.
Apesar da palestra parecer mais focada na defesa de relações orgânicas invés de defesa da tecnologia, o vocalista explicou que não considera a tecnologia uma ameaça, mas sim uma oportunidade para nos focarmos naquilo que mais gostamos ou ajudar aos processos necessários numa profissão. E deu o exemplo da sua empresa de manutenção de aviões: "Usamos dados de IA para antecipar falhas, mas humanos para as corrigir".
“Não vivemos numa utopia tecnológica nem numa distopia dominada por máquinas. Vivemos no presente”, concluiu, deixando uma mensagem de esperança.
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