Sintomas como ondas de calor, stress ou ansiedade podem ser agravados por um ciclo de sono incompleto. A doutora Olga Magalhães explica como as mulheres durante a transição da menopausa podem ter uma noite mais relaxada sem esquecer a "higiene de sono".
Ondas de calor, insónias, alterações de peso, falta de energia, aumento da ansiedade e stress fazem parte da lista de sintomas que algumas mulheres sofrem quando começam a transição da menopausa. Estas mudanças dão-se pela diminuição da produção de hormonas como o estrogénio e a progesterona, e podem ser agravadas com um ciclo de sono incompleto.
Os sintomas da menopausa podem interferir num sono completoAdam Kuylenstierna / EyeEm/Getty Images
A doutora Olga Magalhães, da Clínica Drª Marta Padilha, que se foca em modulação hormonal, reforça a importância do sono como um dos pilares fundamentais da saúde hormonal, metabólica e emocional especialmente durante este período da vida. À SÁBADO explica que além do tratamento hormonal, é importante não esquecer a "higiene do sono". “Se a mulher antes de ir para a cama, em vez de tomar um banho quente ou baixar as luzes, for ver uma série muito excitante, o sono fica perturbado”, explica.
“Se jantar a partir das 21h ou 21h30 dá um sinal errado ao corpo, que pensa que não pode descansar porque há uma digestão a fazer”, acrescenta, reforçando que há um tratamento hormonal a ser feito mas também uma higiene de sono para complementar. A melatonina também acaba por ser uma “aliada” dos profissionais em casos onde é necessário um apoio extra para se garantir uma noite de sono completo, sendo “uma hormona que a cada década que passa produzimos cada vez menos”, afirma a médica.
Outro sintoma da menopausa é o aumento do peso, que resulta de um abrandamento do metabolismo “o que também pode causar obstrução do sono e ter uma implicação na qualidade do sono”, afirma a doutora que cita que “cerca de 70% das mulheres refere ganho de peso” nesta fase da sua vida.
Segundo a Associação Portuguesa de Sono, a maioria dos portugueses adultos dorme abaixo das 7 a 9 horas recomendadas. Uma noite mal dormida resulta no aumento do cortisol, o que pode levar a uma maior procura de hidratos de carbono ou açúcar, assim como ao desenvolvimento e agravamento de doenças como a hipertensão, depressão ou arritmias cardíacas.
Desmistificar a menopausa
Apesar de ser um tema cada vez mais falado, a menopausa ainda é uma área com pouca investigação clínica e com pouco investimento. Para a doutora Olga Magalhães é importante que continuem a ser feitos estudos sobre os efeitos e os tratamentos desta alteração hormonal que afeta todas as mulheres. “Nas últimas décadas começámos a dar mais importância e a perceber o real impacto da menopausa, não é apenas não menstruar, são alterações muito grandes, a nível hormonal, do sono, do peso, da sexualidade, de questões de saúde mental, e é muito mais complexo do que parece”, defende.
Mas o tabu não se refere apenas à menopausa, abrange também os tratamentos hormonais. “Antigamente os médicos tinham receio [em recomendar], o estudo que utilizavam não foi bem conduzido, foi feito com uma hormona animal e não humana, o que agravou as complicações a nível do cancro”, explica, acrescentando que se tivesse sido bem feito, mais mulheres poderiam ter beneficiado.
Em dezembro de 2025 a Agência norte-americana de Alimentação e Medicamentos (FDA) decidiu retirar os alertas “caixa preta” dos tratamentos de terapia hormonal da menopausa. Desde 2003 que os medicamentos para a menopausa, nomeadamente aqueles à base de estrogénio, continham avisos nos rótulos que alertavam para o risco de doença cardiovascular, cancro da mama e demência.
Esta ligação entre os medicamentos de terapia hormonal e os riscos de cancro aconteceu na sequência dos resultados iniciais de um estudo chamado Women’s Health Initiative. Mais tarde descobriu-se que o estudo foi feito em mulheres maioritariamente mais velhas, com a média de idades de 62 anos. A medicação está indicada para mulheres abaixo dos 60 anos e nos primeiros 10 anos após a entrada na menopausa.
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