Dexametasona, o medicamento milagroso da Covid-19, pode esgotar

Dexametasona, o medicamento milagroso da Covid-19, pode esgotar
Diogo Camilo 23 de junho de 2020

Foi o primeiro tratamento clinicamente testado a conseguir tratar casos graves da Covid-19, mas a confirmação da OMS levou ao "açambarcamento e compra especulativa" da sua versão injetável – que é a mais procurada por médicos e a mais difícil de produzir.

Na passada semana foi anunciado pela Universidade de Oxford o primeiro medicamente clinicamente testado que consegue tratar casos graves da Covid-19. A dexametasona, um corticoesteroide utilizado em inflamações relacionadas com a artrite reumatoide e a asma, consegue reduzir em cerca de um terço as mortes de pacientes com o novo coronavírus em estado grave mas, com tanta procura, a sua versão injetável – que é a mais procurada por médicos – pode esgotar.

A dexametasona, por si só, é um medicamento muito acessível. Trata-se de um imunossupressor que já está no mercado há mais de 60 anos e, em Portugal, está autorizado há muito tempo, sendo "comum em várias situações" clínicas, como explicou o presidente do Infarmed, Rui Ivo, que admitiu que este medicamento pode já estar a ser utilizado no país em casos mais graves da doença. Até ao fim de abril, Portugal já tinha usado 200 mil unidades da dexametasona.

Não sendo um tratamento que combata o vírus diretamente, a dexametasona vai atuar ao nível da chamada "tempestade de citocinas", travando reações exageradas do nosso sistema imunitário a corpos estranhos, como é o caso do vírus da Covid-19, o SARS-CoV-2. Segundo os investigadores de Oxford, este novo medicamento reduz até 35% das mortes de doentes já dependentes de ventilador em apenas 28 dias e 20% em pacientes que necessitam apenas de oxigénio.

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