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Casos de candida auris em Portugal: "Qualquer pessoa já a pode ter tido sem saber"

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O infeciologista Jaime Nina explica que não há motivo para alarmes apesar do alerta do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças.

Nos últimos dias várias foram as notícias sobre o fungo candida auris, detetado por uma equipa da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto . As notícias surgiram na sequência do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (Insa) ter anunciado que foram confirmados casos de infeção pelo fungo 'Candida auris' entre 2022 e 2025 em amostras clínicas de hospitais públicos do Norte e de Lisboa e Vale do Tejo.

Nicolas Armer/picture-alliance/dpa/AP Images

O estudo agora publicado no  refere que o fungo, identificado pela primeira vez em 2009 no Japão, foi detetado em oito doentes num hospital na região do Norte e que três deles acabaram por morrer, ainda assim vale a pena referir que estes três tinham outras patologias associadas. Aliás o estudo refere que “nenhuma das três mortes dos casos de infeção invasiva reportados esteve exclusivamente associada à infeção, mas sim a comorbilidades severas dos doentes”.  

O infeciologista Jaime Nina explica à SÁBADO que este fungo “apareceu através da fragmentação de uma velha candida” e considera que se trata de um “fungo extraordinariamente comum”.  

Ainda assim admite que “a infeção se pode tornar grave quando uma pessoa está a tomar antibióticos, como acontece com a candidíase vaginal que surge durante a toma”, ou quando se encontra num estado de “imunossupressão profunda" ou a realizar quimioterapia. 

Assim sendo é fácil de entender o porquê da candida auris ser detetada sobretudo em doentes internados em hospitais ou residentes em lares, especialmente tendo em conta que a transmissão deste fungo se faz através do contacto direto entre doentes ou prestadores de cuidados de saúde e doentes, mas não por via aérea.  

Tal como os restantes da família candida, este fungo pode sobreviver durante semanas, é difícil de diagnosticar e tratar pelo seu carácter invasivo, o que significa que pode entrar na corrente sanguínea e causar infeções graves. Entre 30 a 60% dos doentes que contraíram estas infeções morreram, no entanto é preciso ter em consideração que a maioria destas pessoas tinham outros problemas de saúde graves que aumentaram o seu risco de mortalidade.  

Muitas pessoas podem não demonstrar sintomas e Jaime Nina reforça que não se trata de “uma doença epidémica”, ou seja “ela existe na comunidade e qualquer pessoa já a pode ter tido sem saber”, até porque “para ser diagnosticada teriam de ser feitas análises ao sangue próprias”.  

Em setembro de 2025, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças alertou para a rápida propagação do fungo na Europa e salientou “a importância da deteção precoce e controlo da transmissão”. Entre 2003 e 2023 o mesmo centro tinha registado mais de quatro mil casos por toda a Europa.  

Para evitar a propagação desta infeção, é importante fazer uma correta higiene das mãos, lavando-as com água e sabonete ou com um desinfetante à base álcool, especialmente sempre que for visitar alguém que se encontra num hospital ou num lar.  

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