O infeciologista Jaime Nina explica que não há motivo para alarmes apesar do alerta do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças.
Nos últimos dias várias foram as notícias sobre o fungo candida auris, detetado por uma equipa da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto em 2023. As notícias surgiram na sequência do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (Insa) ter anunciado que foram confirmados casos de infeção pelo fungo 'Candida auris' entre 2022 e 2025 em amostras clínicas de hospitais públicos do Norte e de Lisboa e Vale do Tejo.
Nicolas Armer/picture-alliance/dpa/AP Images
O estudo agora publicado no Journal of Fungi refere que o fungo, identificado pela primeira vez em 2009 no Japão, foi detetado em oito doentes num hospital na região do Norte e que três deles acabaram por morrer, ainda assim vale a pena referir que estes três tinham outras patologias associadas. Aliás o estudo refere que “nenhuma das três mortes dos casos de infeção invasiva reportados esteve exclusivamente associada à infeção, mas sim a comorbilidades severas dos doentes”.
O infeciologista Jaime Nina explica à SÁBADO que este fungo “apareceu através da fragmentação de uma velha candida” e considera que se trata de um “fungo extraordinariamente comum”.
Ainda assim admite que “a infeção se pode tornar grave quando uma pessoa está a tomar antibióticos, como acontece com a candidíase vaginal que surge durante a toma”, ou quando se encontra num estado de “imunossupressão profunda" ou a realizar quimioterapia.
Assim sendo é fácil de entender o porquê da candida auris ser detetada sobretudo em doentes internados em hospitais ou residentes em lares, especialmente tendo em conta que a transmissão deste fungo se faz através do contacto direto entre doentes ou prestadores de cuidados de saúde e doentes, mas não por via aérea.
Tal como os restantes da família candida, este fungo pode sobreviver durante semanas, é difícil de diagnosticar e tratar pelo seu carácter invasivo, o que significa que pode entrar na corrente sanguínea e causar infeções graves. Entre 30 a 60% dos doentes que contraíram estas infeções morreram, no entanto é preciso ter em consideração que a maioria destas pessoas tinham outros problemas de saúde graves que aumentaram o seu risco de mortalidade.
Muitas pessoas podem não demonstrar sintomas e Jaime Nina reforça que não se trata de “uma doença epidémica”, ou seja “ela existe na comunidade e qualquer pessoa já a pode ter tido sem saber”, até porque “para ser diagnosticada teriam de ser feitas análises ao sangue próprias”.
Em setembro de 2025, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças alertou para a rápida propagação do fungo na Europa e salientou “a importância da deteção precoce e controlo da transmissão”. Entre 2003 e 2023 o mesmo centro tinha registado mais de quatro mil casos por toda a Europa.
Para evitar a propagação desta infeção, é importante fazer uma correta higiene das mãos, lavando-as com água e sabonete ou com um desinfetante à base álcool, especialmente sempre que for visitar alguém que se encontra num hospital ou num lar.
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