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Faculdade de medicina do Porto reitera que primeiros casos de Candida auris em Portugal foram detetados em 2023

Lusa 12:44
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Esclarecimento surge depois de o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge ter anunciado que foram confirmados casos de infeção pelo fungo Candida auris entre 2022 e 2025 em amostras clínicas de hospitais públicos.

A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) reiterou esta sexta-feira que os primeiros casos nacionais endémicos de infeção pelo fungo 'Candida auris' foram detetados em 2023.

Fungo
Fungo Hugo Monteiro/Correio da Manhã

"A FMUP comunicou os resultados de um novo estudo, publicado no Journal of Fungi que reportou e analisou os primeiros casos confirmados de infeção na corrente sanguínea (candidemia) e colonização por 'Candida auris' em Portugal. Estes casos terão sido, como resulta do artigo publicado naquela prestigiada revista científica, os primeiros casos nacionais endémicos, ou seja, registados em portugueses, sem associação a viagens, migrações ou transferências de hospitais de outros países", refere a faculdade em comunicado.

Este esclarecimento surge depois de na quinta-feira o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (Insa) ter anunciado que foram confirmados casos de infeção pelo fungo 'Candida auris' entre 2022 e 2025 em amostras clínicas de hospitais públicos do Norte e de Lisboa e Vale do Tejo.

O comunicado do Insa surgiu na sequência da divulgação na terça-feira de um estudo liderado pela FMUP que concluiu ter identificado os primeiros casos de 'Candida auris' em Portugal em 2023.

Foram classificados oito casos identificados em 2023 num hospital da região Norte, refere o resumo do estudo a que a Lusa teve acesso, cujas conclusões reforçam a importância da vigilância hospitalar, sendo salvaguardado que "nenhuma das três mortes dos casos de infeção invasiva reportados esteve exclusivamente associada à infeção, mas sim a comorbilidades severas dos doentes".

Segundo o Insa, o primeiro caso de infeção por 'Candida auris' (C. auris) no país foi identificado em 2022 pelo Laboratório Nacional de Referência (LNR) de Infeções Parasitárias e Fúngicas do seu departamento de Doenças Infecciosas.

"Entre 2022 e 2025, o LNR confirmou anualmente casos de infeção por 'C. auris' em amostras clínicas provenientes de diversos hospitais públicos das Regiões de Saúde Norte e Lisboa e Vale do Tejo", referiu o Insa, sem quantificar o número de infeções.

Hoje, a FMUP, reiterando a informação partilhada na terça-feira, refere que o caso referido pelo Insa "como o primeiro a ter sido reportado, em 2022, refere-se a um caso de 'C. auris' num doente transferido de Angola para um hospital português, como pode ler-se no artigo científico respetivo".

"A FMUP reafirma o seu compromisso com a promoção da literacia da saúde junto da sociedade portuguesa, tendo presente o superior interesse público, bem como a disseminação rigorosa da ciência que produz, em colaboração com todas as instituições que prosseguem esse mesmo desígnio", conclui a faculdade.

Em setembro do ano passado, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) alertou para a rápida propagação nos hospitais deste fungo resistente a medicamentos e pediu medidas para travar a sua disseminação.

O 'C. auris' foi identificado pela primeira vez em 2009 no Japão.