O país entrou em incumprimento das metas europeias de reciclagem de embalagens no ano em que o investimento no sistema quase duplicou.
Os portugueses separaram em 2025 mais 2% de embalagens para reciclagem do que em 2024, num total de 486.990 toneladas, mas Portugal voltou a falhar as metas de reciclagem de embalagens, anunciou a Sociedade Ponto Verde, gestora destes resíduos.
Reciclagem LisboaGettyImages
O vidro e ECAL (Embalagens de Cartão para Alimentos Líquidos) voltaram a ser os materiais mais críticos, com o vidro a registar uma quebra de 1% na separação para reciclagem (212.693 toneladas de embalagens recicladas) e a ECAL uma descida de 7% (7.724 toneladas), informou em comunicado hoje divulgado.
Quanto aos restantes materiais, os dados do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE) revelam terem sido encaminhadas para a reciclagem 164.531 toneladas de papel/cartão (mais 4%), 89.125 toneladas de plástico (mais 4%) e 2.374 toneladas de alumínio (menos 4%).
Fechado o ano de 2025, o país entrou em incumprimento das metas europeias de reciclagem de embalagens no ano em que o investimento no sistema quase duplicou, com mais 98 milhões de euros (ME), num total de 220ME.
"Ao fim de um ano com valores de contrapartida reforçados, o sistema continua a entregar resultados muito aquém do que é exigido a nível europeu. Isto demonstra que a reciclagem de embalagens não se resolve apenas com mais financiamento", defendeu a CEO da Sociedade Ponto Verde, Ana Trigo Morais.
Na sua opinião, é preciso repensar o modelo, exigir eficiência e qualidade no serviço de recolha e triagem para garantir que cada euro investido gera mais embalagens recolhidas nos ecopontos.
Adicionalmente, a fiscalização deve também fazer parte de um sistema equilibrado e justo, argumentou, explicando que a experiência demonstra a sua importância para a alteração efetiva de comportamentos, sem nunca substituir a necessidade de um serviço com qualidade e conveniência.
"Estamos num momento em que os recursos existem. O que falta é garantir que o sistema funciona. Não podemos continuar a aceitar que mais investimento produza exatamente os mesmos resultados. A reciclagem de embalagens precisa de uma mudança estrutural e de uma gestão orientada para o desempenho", concluiu Ana Trigo Morais.
Desde 1996, a Sociedade Ponto Verde (SPV) é responsável pelo encaminhamento para reciclagem e valorização dos resíduos de embalagens resultantes do grande consumo, servindo atualmente cerca de 8.000 clientes.
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