Sábado – Pense por si

Germano Almeida
Germano Almeida
14 de abril de 2026 às 23:00

"Uma civilização inteira desaparecerá"

Trump ficará marcado pelo que escreveu nas horas anteriores ao cessar-fogo de duas semanas. Ter ameaçado a destruição completa "de uma civilização" não é episódio que se apague só porque não foi concretizado. Este mandato presidencial entrará para os livros da História. Pelas piores razões.

Do apocalipse a tréguas precárias e prontamente desmentidas nos pormenores mais básicos. Donald Trump passou de "fazer desaparecer uma civilização numa noite" a festejar "a paz mundial" de um momento para o outro. O Presidente dos EUA vive de sentimentos extremos e de projeções maximalistas. Sem a mínima capacidade de desenvolver boas políticas, que exigem tempo, planeamento e paciência para esperar pelos resultados, o inquilino da Casa Branca joga com as perceções e atua em função do fluxo mediático. Depois de sete ultimatos, à oitava conseguiu um alívio negocial. Teve de colocar a fasquia na ameaça quase total para fazer o Irão aceitar abrir Ormuz -- por duas semanas. "Vitória total e completa"? Nada disso. Os iranianos já foram lançando que "os EUA aceitaram o pressuposto do enriquecimento de urânio" (mesmo?) e prometem manter o dedo no gatilho. 'Just in case'. Enquanto isso, a ambivalência de Netanyahu diz-nos quase tudo sobre este teatro de enganos: Israel acompanha o cessar-fogo de Trump no Irão, mas mantém a guerra contra o Hezbollah no Líbano. Como assim?

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