Modi tem sabido interpretar as oportunidades desta nova ordem de geometria variável e fez acordos comerciais com Reino Unido, União Europeia e EUA em poucas semanas. A Índia será um poder crescente de potencial elevado. Zelensky foi obrigado a explicar que para haver eleições terá de haver, antes, um cessar-fogo e garantias de segurança. A insistência de Trump no tema reforça suspeitas de que Putin tem mesmo o Presidente dos EUA na mão.
A Índia é o país a olhar com mais atenção nos próximos anos. O nosso foco tem estado na competição EUA/China e, sim, essa tem sido a grande história até agora. Com a invasão de Putin à Ucrânia, nos últimos quatro anos passámos também a falar do ressurgimento da Rússia, pela pior via possível: a força bruta. Quando se fala numa futura ordem de grandes poderes, feita já não por regras e instituições multilaterais mas pelo interesse de quem tem força e poder, faz sentido olhar para esse triângulo, com Washington e Pequim como pontos de topo e Moscovo no ponto inferior. Mas devemos adicionar um quarto elemento. A Índia já é o país mais populoso do mundo (lá para o final do ano, quando soubermos os resultados do recenseamento, teremos uma noção mais exata desse crescimento populacional indiano). Modi tem dado mostras de usar o potencial indiano para se posicionar como o maior beneficiário do fim da liderança global dos EUA, por opção de Trump. O acordo UE/Índia é um belo exemplo. O acordo UK/Índia já o tinha sido antes. E o acordo feito à pressa, um bocado em desespero do lado de Trump, de redução de tarifas entre EUA e Índia, reforçou este sinal de afirmação indiana. Um caso a acompanhar.
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