A invasão de Putin está longe de parar: o presidente da Rússia não quer "só o Donbass". Quer toda a Ucrânia. Faz da agressão sobre Kiev, em capa de expansão neoimperialista, a sobrevivência do seu modo de liderar. Recuar seria admitir o erro. E, no Kremlin, o poder afirma-se de forma vertical. Sem hesitações. A sangue frio, para que eventuais críticos ou opositores não acreditem em alternativas. Não percebermos isso é não percebermos nada.
No "Guerra e Paz" do passado dia 26 de fevereiro, o Major General Arnaut Moreira lembrou que uma guerra de alta intensidade e longa duração, como é a invasão russa da Ucrânia, só termina quando uma destas três coisas (ou mais do que uma em simultâneo) se verifica: 1) a vitória militar de um dos lados; 2) o esgotamento de recursos de algum dos contendores; 3) mediação externa com sucesso. Ora, neste momento, nenhum dos três pontos se antevê como provável de acontecer tão cedo. A Ucrânia reconquistou 400 quilómetros quadrados no oblast de Zaporíjia, retomando em nove dias o que os russos demoraram a conquistar em dois meses, naquele que foi o maior ganho ucraniano em território conquistado pelos russos desde o verão de 2023. A Ucrânia mantém o controlo de 25% do Donetsk, mais de 35% de Zaporíjia e perto de 30% de Kherson. Enquanto isso, relatórios independentes apontam para mais 1000 russos mortos por dia. Não é por mês, muito menos por ano: é por dia. Moscovo perde entre 30 a 35 mil soldados por mês e não tem conseguido fazer esse recrutamento mensal que, pelo menos, reponha perdas.
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