Trump nunca soube muito bem o que quer com a guerra ao Irão. Mas parece cada vez mais claro que tenta uma saída rápida que lhe permita decretar algum tipo de "vitória" (seja lá o que isso for). Netanyahu, com objetivos muito mais definidos, fará tudo para prolongar os EUA envolvidos na agressão. Pelo meio, Zelensky, percebendo os riscos das vantagens para a Rússia do aumento do preço dos combustíveis fósseis, fez jogada diplomática de mestre na Arábia Saudita.
Havia uma velha piada em Washington DC que perguntava: "Quando quisermos falar com a Europa, para que número ligamos?". Com Moscovo, ao menos, havia um telefone vermelho. Mais complicado do que lidar com um inimigo conhecido é não saber como lidar com ameaça desconhecida. Apesar da manifesta falta de plano, EUA e Israel obtiveram sucessos militares relevantes: vários líderes do regime iraniano eliminados, inúmeros alvos do complexo de mísseis e respetivos lançadores e instalações da Guarda Revolucionária destruídos ou fortemente danificados. "So what?" Se nem assim o Irão deixou de ter capacidade de fechar Ormuz e atacar os países vizinhos, como neutralizar a ameaça? Perante o quadro de total impasse, Trump tem três hipóteses: 1) completar a destruição do regime de modo a aniquilá-lo (não se afigura provável); 2) recuar completamente e assumir fracasso (não se acredita viável); 3) ou negociar, nem que seja para ganhar algum tempo. Parece haver uma tentativa norte-americana (pouco aplaudida em Telavive) pela terceira via, talvez por intermediação do Paquistão. Mas: com quem? Ghalibaf, presidente do parlamento, desmente ser ele. Quem conheça a sua história sangrenta tem dificuldade em perceber como terá sido apontado como possibilidade. Isto ainda pode estar só no início.
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