"Vendi o meu primeiro quadro ao Almada Negreiros"

Luís Silvestre 22 de maio de 2018

O pintor andou em Belas-Artes em Lisboa e no Porto, mas não acabou o curso. Foi preso pela PIDE e ilustrou jornais clandestinos. Pioneiro da arte moderna portuguesa, inaugurou em Abril de 2013 o seu museu.

O artista plástico Júlio Pomar morreu esta terça-feira aos 92 anos no Hospital da Luz, em Lisboa. Recorde a entrevista de vida concedida à SÁBADO em 2013.

O ateliê de Júlio Pomar em Lisboa tem bonecos de animais de brincar, máscaras, potes de artesanato e frascos com tintas e pincéis usados. Uma clarabóia no tecto ilumina o espaço onde estão duas telas em que o pintor trabalha: retratos de Fernando Pessoa e do amigo António Lobo Antunes. O edifício do lado oposto, na Rua do Vale, vai acolher o Atelier-Museu Júlio Pomar, com inauguração marcada para 5 de Abril, com uma retrospectiva do pintor. É um velho sonho concretizado agora, aos 87 anos.

Lembra-se do primeiro quadro que vendeu?
Sim. Era muito jovem e ainda estava a estudar na Escola de Belas-Artes em Lisboa. Dividia um quarto com amigos a que chamávamos ateliê, na Rua das Flores. Nessa altura, decidimos montar uma exposição. Era a época das tertúlias, as pessoas encontravam-se nos cafés. E pouca coisa havia na cidade. Éramos um grupo de miúdos que faziam bonecos. Eu nem 20 anos tinha. Mas a notícia espalhou-se e tivemos muitas visitas.

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