Ponte Vasco da Gama foi palco de maratonas e uma feijoada recorde

Lusa 29 de março de 2018
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Provas desportivas, corridas ilegais de automóveis e uma feijoada com inscrição no livro dos recordes foram alguns dos eventos que já passaram pela Ponte Vasco da Gama, inaugurada há 20 anos.

Provas desportivas, corridas ilegais de automóveis e uma feijoada com inscrição no livro dos recordes foram alguns dos eventos que já passaram pela Ponte Vasco da Gama, inaugurada há 20 anos.

Inaugurada a 29 de Março de 1998, a ponte revelou ser mais do que uma passagem para a outra margem e tornou-se palco de eventos desportivos como a meia maratona de Portugal e a primeira edição do World Bike Tour, em 2006.

O seu tabuleiro tem sido também a "pista" preferida para alguns automobilistas que ali fazem, com alguma regularidade, corridas a velocidades que podem chegar aos 280 quilómetros/hora, apesar da intensificação da fiscalização por parte da GNR.

Uma semana antes da inauguração, o tabuleiro da ponte foi palco da célebre feijoada que sentou numa mesa com cinco quilómetros cerca de 15 mil pessoas, promovida por uma marca de detergente para a loiça.

Na altura, 425 pessoas garantiram a segurança do evento e foram colocados 100 WC portáteis à disposição dos comensais, que foram transportados para a ponte em 200 autocarros da Carris.

A ponte foi inaugurada sete dias depois pelo então presidente da República Jorge Sampaio, numa cerimónia sem pompa, como quis o Governo, e abençoada pelo padre Vítor Melícias.

Estiveram presentes os principais dignitários do país, entre cerca de 1.500 convidados, que percorreram a ponte de autocarro.

Os CTT juntaram-se à festa e emitiram um selo comemorativo da inauguração.

Horas depois, a ponte foi aberta ao público, que acorreu em massa e causou vários quilómetros de fila, que congestionou o trânsito na Segunda Circular em direcção à Autoestrada do Norte e aos acessos à Ponte Vasco da Gama.

Uma hora depois de a ponte ter sido aberta ao tráfego, cerca de 11 mil veículos já tinham atravessado a Vasco da Gama.

A seguir ao túnel sob o Canal da Mancha, entre França e Inglaterra, a ponte que liga Sacavém, na margem Norte do Tejo, ao Montijo, na margem Sul, é a maior travessia já construída na Europa.

A Lusoponte, um consórcio de empresas portuguesas, inglesa e francesa, ganhou o concurso para a concessão do projecto, construção, financiamento e exploração da nova travessia.

A extensão total da nova ponte é de 17,2 kms, dos quais 10 sobre as águas do Tejo e os restantes em terra.

Ao longo do tabuleiro, de oito em oito candeeiros, estão instaladas câmaras de vigilância, de 400 em 400 metros há postos de SOS e de dois em dois quilómetros há zonas de abrigo de emergência.

Os trabalhos para a construção da Ponte Vasco da Gama arrancaram em Fevereiro de 1995, mas só no verão de 1996 começaram a ver-se os sinais de que uma nova ponte estava a crescer no Tejo.

Na obra foram utilizadas 100 mil toneladas de aço, 730 mil toneladas de betão e foram empregadas 150 vigas-tabuleiro pré-fabricadas.

A ponte tem uma esperança de vida de 120 anos, tendo sido projectada para suportar velocidades do vento de 250 km/h e resistir a um sismo 4,5 vezes mais forte ao Terramoto de Lisboa, em 1755.

Durante os trabalhos, que chegaram a movimentar 3.300 trabalhadores, registaram-se 11 mortos, entre os quais seis homens no grande acidente de 10 de Abril de 1997, quando um carrinho de avanço caiu da ponte principal, desde uma altura de 45 metros.

Outros cinco operários morreram devido a quedas e, um deles, por eletrocussão. Outros dez trabalhadores ficaram feridos nestas obras.

Também duas crianças que brincavam numa vala com água e sem rede de proteção no local das obras morreram. Nove engenheiros da Lusoponte e da Novaponte foram acusados de violação das normas de segurança durante a construção da ponte e ilibados nove anos depois, num julgamento.

Na cerimónia de inauguração foi prestada uma homenagem aos 11 trabalhadores mortos, cujos nomes constam de uma lápide em pedra negra.

A Ponte Vasco da Gama custou cerca de 900 milhões de euros, 30% do valor foi comparticipado por fundos comunitários e 6% resultante das portagens da Ponte 25 de Abril.
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