Passei uma semana na cozinha do chef Avillez

Diogo Lopes 09 de setembro de 2017

Vestimos a jaleca e o avental para perceber como é a vida num duas estrelas Michelin. Uma queimadura e muitas dores de costas depois, este é o relato


Num sábado, por volta das 8h, o despertador tocou. O fundo das costas doía, também o pescoço e os dois dedos, que dias antes tinham ganho uma cor vermelho -viva, resultado da primeira e única queimadura que marcou a minha passagem pelo Belcanto, o restaurante com duas estrelas Michelin orientado pelo chef José Avillez.

Este era o último dia de uma semana de trabalho num dos mais prestigiados espaços do País. Para trás ficavam muitas horas, que permitiram perceber melhor o que é uma verdadeira cozinha profissional de fine dinning. Mas ainda faltavam quase 14 horas de trabalho e uma surpresa.

"Amanhã vais-te embora? Prepara-te para a praxe!", dizem-me. "Uma vez congelaram o casaco de um estagiário!" Aparentemente, parecia existir uma amigável tradição de "despedida". O que me esperaria? Pensei muito nisso, mas a pressa de sair a horas falou mais alto e segui rumo à pequena porta no fundo da Rua Anchieta, no Chiado, em Lisboa, por onde entra o pessoal do restaurante. Quando tudo isto começou, já tinha noção de que seria duro, mas nunca a ponto de imaginar que acabaria a atravessar a zona do Chiado a passo acelerado, quase a coxear.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui
Investigação
Opinião Ver mais