Os enfermeiros que se tornaram estrelas das redes sociais

Os enfermeiros que se tornaram estrelas das redes sociais
Marco Alves 21 de fevereiro

A pandemia trouxe-lhes milhares de seguidores e de partilhas. As fotografias e os relatos que fazem da realidade que vivem dentro dos hospitais tornaram-se virais. Fomos conhecer Carmen Garcia, Nuno Moreira, Raquel Loura e Mário Macedo.

A informação que começou a chegar a conta-gotas às redações naquele fim de tarde de 26 de janeiro foi uma das mais dramáticas da terceira vaga da pandemia: faltou o oxigénio no hospital Amadora-Sintra. O enfermeiro Mário Macedo não estava de serviço no hospital, mas tinha informações de dentro. E nas mãos tinha a sua conta no Twitter, uma das que emergiram no espaço público com a pandemia. "Em dezembro de 2019, num jantar com amigos, comentávamos que o Twitter era uma rede com poucos utilizadores, mas que fazia acontecer noticias, ao contrário das outras, que iam atrás das notícias. Na altura eu tinha cerca de 700 seguidores. Um ano depois, tinha cerca de 5.700 e agora 8.500. Comecei a notar o crescimento logo no princípio da pandemia", diz à SÁBADO.

A ideia de que estariam a morrer doentes sufocados por falta de oxigénio exigiu tweets rápidos, de que nenhum doente ficou sem oxigénio, que "havia stock de oxigénio, a falha foi da estrutura de uma das alas" e que o hospital estava sobrecarregado com doentes Covid (tinha 370 naquele dia). Para este enfermeiro, o caso foi ilustrativo do poder da sua conta: "Estava num evento online a falar sobre vacinação e saúde pública quando o caso aconteceu. Troquei mensagens com colegas que estavam a trabalhar e não batia certo com as primeiras informações avançadas pela comunicação social. Senti que tinha que repor a verdade e tranquilizar os familiares dos doentes. Foram tweets que tiveram um amplo alcance e foram citados em vários lados. Fui convidado para falar sobre isso nas televisões nessa mesma noite, mas por respeito institucional e cansaço próprio, tive que gentilmente recusar."

A pandemia trouxe para o espaço mediático novos opinion makers, mais técnicos: médicos, enfermeiros, cientistas, epidemiologistas e matemáticos. Carmen Garcia é um desses novos especialistas. Até janeiro deste ano esteva na unidade de cuidados intensivos cardíacos do Hospital do Espírito Santo (Évora). "Rescindi formalmente o contrato no início de 2021 (estava de licença desde janeiro de 2020) e a minha ideia inicial era dedicar-me mais à família e aos meus outros projetos. Mas, entretanto, esta terceira vaga chegou e percebi que teria de adiar os planos. Estou desde o início do ano a trabalhar num centro de testagens covid-19, a fazer brigadas em lares, e comecei sensivelmente a meio de Janeiro a trabalhar numa estrutura de apoio de retaguarda para doentes covid-19 e num centro de assistência para doentes respiratórios."

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