Investigação

Marco Galinha. De vendedor de tabaco a novo tubarão dos media

Marco Galinha. De vendedor de tabaco a novo tubarão dos media
Marco Alves 20 de fevereiro

Criado numa família humilde da Benedita, começou no negócio do sogro, a vender tabaco pelos cafés. Depois vendeu bicicletas e criou em Lisboa um pequeno império empresarial. As histórias familiares e privadas no novo presidente da Global Media.

"Existe uma pseudo nobreza bafienta em Portugal que sempre viveu dos privilégios. Não suportam que apareça alguém com uma camisa lavada que não seja de herança que ‘só pode ter sido tirada a alguém – a nós’ exclamam!"

Mais do que uma declaração de princípios, estas duas frases que Marco Galinha publicou no seu Facebook no dia 10 de junho são provavelmente um bom resumo do que tem sido o seu caminho para se afirmar como empresário entre a elite lisboeta, vindo ele anónimo da pequena vila da Benedita (Alcobaça), onde começou a vender maços de tabaco e bicicletas.

Na terra era conhecido como "o Galinha" – uma natural referência ao apelido. E "o Galinha" é hoje um milionário, estrela de programas de televisão, entrou em força no negócio dos jornais, é dono de hotéis de luxo e faz produtos para a NASA. Mas para a elite lisboeta, sente ele, continua a ser "o Galinha", por melhor que sejam as suas camisas.

Ter o apelido de uma ave de capoeira é mais um óbice para quem se quer impor no mundo dos negócios e da "nobreza bafienta". Ainda por cima é uma ave que não voa, e Marco Galinha quer voar alto.



Quando em 1999 (tinha apenas 22 anos) se casou com uma rapariga que conhecia do Externato da Benedita, houve ainda outro problema adicional. Ela, que tinha apenas 17 anos, tinha o apelido Penas. Um filho que viesse (e veio mesmo nesse ano) iria chamar-se fulano Penas Galinha. A solução foi tirar-lhe o Galinha e ir buscar outro apelido ao pai. O menino, hoje com 21 anos e já acionista e vogal de algumas das empresas, viria a chamar-se Domingos Bernardo Penas Belo. Domingos ficou assim livre do Galinha, e com o tempo até foi perdendo o próprio Domingos: quase toda a gente, incluindo o pai, o trata por Bernardo.

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