O Público e a Tinta-da-China, um estudo de caso: A Valsa de Matilde (1ª parte)

O Público e a Tinta-da-China, um estudo de caso: A Valsa de Matilde
João Pedro George 28 de agosto de 2020

João Pedro George decide "pôr à prova a carreira triunfante de Matilde Campilho", a escritora da Tinta-da-China que recebeu amplo destaque no Ípsilon. Primeira parte de um extenso ensaio.

(Esta é a primeira parte de um ensaio do escritor e sociólogo João Pedro George sobre a relação entre o jornal Público e a Tinta-da-China. Ao longo dos próximos dias serão publicadas as restantes três partes.)

Para os editores do Ípsilon (suplemento cultural do Público das sextas-feiras), a publicação de Flecha, segundo livro de Matilde Campilho, constitui um dos mais importantes acontecimentos literários da primeira metade de 2020. É o que se depreende do número excepcional de páginas a que a autora teve direito (pelo menos, foi assim que eu o interpretei): oito páginas inteiras na edição de 24 de Julho, incluindo a capa e as fotografias. Acrescente-se a isto as quatro estrelas concedidas à obra, sem quaisquer argumentos justificativos (a avaliação do livro limita-se à atribuição dessas estrelas), dando assim mostras de que publicitar a obra da autora foi o único ou o principal objectivo do suplemento.

Em tempos tão áridos para a crítica nos jornais, salta aos olhos, mesmo aos mais desprevenidos, que se trata de um privilégio de que muito poucos autores beneficiam. Talvez por isso – por ser excessivo e raro –, decidi pôr à prova a carreira triunfante de Matilde Campilho.

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