Madonna: toda a história da rainha da pop

Rita Bertrand 11 de janeiro de 2020

Recorde a vida da cantora na semana em que atua em Lisboa, para oito coliseus esgotados

Diz o povo que a sorte protege os audazes. Madonna Louise Ciccone, nascida a 16 de agosto de 1958 em Bay City, no estado do Michigan, é a confirmação de carne e osso desse ditado: com 19 anos e 35 dólares no bolso, o que equivale a menos de 50 euros, mudou-se dos subúrbios de Detroit, o pequeno bairro de Rochester Hills onde vivia com a família, para a gigante Nova Iorque, com a intenção de ser bailarina – nada de estranho para um rapariga que fazia parar os alunos nos corredores da escola com saltos e piruetas.

Para ganhar a vida, ao mesmo tempo que dançava em corpos de baile e para artistas consagrados, trabalhava no Dunkin’ Donuts e fazia biscates, respondendo a anúncios de jornal – caso da sessão de fotografia de Lee Friedlander, em que posou completamente nua por 25 dólares, que viria a resultar numa série de seis imagens (que num leilão de 2009 chegaram a 37.500 dólares por unidade) de uma mulher ao mesmo tempo forte e vulnerável, que não se depilava e pouco depois se tornou a artista feminina mais bem sucedida de sempre, segundo o Livro do Guinness. "Foi a primeira vez que eu andei de avião e que usei um táxi. Foi a coisa mais corajosa que fiz",contou em entrevista a hoje cantora, compositora, atriz, escritora, produtora musical e empresária.

Com esta corajosa mudança de estado, deixava para trás a sua numerosa família católica, de origem italiana, o pai engenheiro, os cinco irmãos (Martin, Anthony, Paula, Christopher e Melanie) e dois meios irmãos (da segunda mulher do pai, a governanta da casa) e a mágoa de ter perdido a mãe, que o cancro da mama matou aos 30 anos, quando ela, batizada com o mesmo nome da mãe, Madonna, mas a quem chamavam "Pequena Nonny", para dela se distinguir, ainda mal sabia ler. Corria o ano de 1963 e aquela morte punha fim a um silêncio opressivo, que procurava escamotear a doença. "Lembro-me de me sentir mais forte que ela. Eu era muito pequena, mas ainda assim era como se fosse ela a criança", recordou Madonna em várias entrevistas, explicando que não entendia o que se passava: "Mentiram-me. Era como se ela estivesse a dormir no caixão, só muito depois percebi que ela tinha sido enterrada e a tinha perdido para sempre. A imagem final da minha mãe, ao mesmo tempo tão pacífica e grotesca, assombra-me até hoje."

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