Joe Berardo: “Preferia morrer a vender a colecção Berardo aos pedaços”

Joe Berardo: “Preferia morrer a vender a colecção Berardo aos pedaços”
Ana Taborda 11 de maio de 2019

Foi para a África do Sul aos 18 anos, fez-se Joe e fez-se rico. Teve mais de 10 mil empregados, a sua colecção de arte é uma das melhores da Europa. Depois perdeu billions – assim mesmo, como ele diz – com o BCP e faz manchetes com dívidas à banca.

Queria fazer "my own life", diz ao lado dos quadros que foi comprando, "esse esteve num barco do Príncipe do Mónaco, vinha todo dobrado, ainda tem as marcas, e esse foi o que Lucio Fontana fez para o aniversário da mulher. Chegou a casa, não tinha presente, foi ao ateliê e montou um frame [moldura] em que todos os lados tinham 69 centímetros". José Manuel Berardo, ou Joe, como todos o conhecem, vai abrir mais um museu este ano, talvez dois, ainda não sabe. O primeiro que inaugurou, em 1997, o Museu de Arte Moderna em Sintra, faz 20 agora, o Museu -Colecção Berardo, no CCB, metade disso. Pelo meio perdeu milhões (os billions dele) com o BCP, é um dos maiores devedores da Caixa Geral de Depósitos, e não se espera – soube-se este mês – que pague tudo o que deve ao Novo Banco. Ele diz que está tudo com os advogados – "senão ficava louco".

Tem cinco museus, todos privados, com excepção da Colecção Berardo, no CCB, onde estamos. Este ano quer abrir mais dois. Gostava de ter apoios do Estado?
Vão ser privados. Não quero mais confusões. Preferia sair do sistema público, porque no tempo em que estive aqui conheci não sei quantos secretários de Estado e ministros.

E o Governo é um parceiro difícil?
É. Um pensa uma coisa, next time o outro pensa outra. Vinha um secretário [de Estado] novo nem lia a lei, nem o acordo, dizia: eu quero assim. Desculpe lá, há um acordo, foi feito, assinado e aprovado pelo Cavaco.

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