Netanyahu chegou a dizer que os influencers eram uma das "armas mais importantes" nesta guerra. Influencers portugueses tornaram-se parte desse braço armado.
O governo de Israel decidiu quadruplicar a fatia do orçamento do estado de 2026 dedicado a relações públicas. No total serão gastos 730 milhões de dólares (cerca de 640 milhões de euros) em propaganda, segundo o Jerusalem Post. Parte desse dinheiro está a ser canalizado para influencers visitarem Israel e produzirem conteúdo que mostre o lado solar do país que está em guerra com a Palestina e outros países do Médio Oriente há quase três anos. Influencers portugueses foram também convidados e até visitaram os túneis usados pelo Hamas. Mas houve (pelo menos) um influencer que negou o convite: Kiko is Hot.
Influencers portugueses foram a Israel a convite do país. Kiko is Hot foi um deles (mas decidiu não ir)Sábado
Entre a lista de influencers portugueses que estão em Israel encontram-se as criadoras de conteúdo Rute Sousa (que confirmou ter sido convidada com despesas pagas), Andreia de Sousa Viegas, Romeu Monteiro, Tiago Sousa (conhecido como TVDE do Tuga) e Rute Obadia. Nos últimos dias têm feito várias publicações um pouco por todo o território de Israel. Rute Sousa tem mostrado locais relacionados com episódios bíblicos, Andreia de Sousa Viegas mostrou os túneis e aproveitou para fazer uma tatuagem. Romeu Monteiro, por sua vez, tem publicado muito no Twitter e reencaminhado para publicações dos outros influencers. Tiago Sousa mostrou-se a rezar no Muro Ocidental ou no local do Festival Nova. Rute Obadia tem mostrado espaços turísticos na cidade. Os influencers promoveram ainda a Save a Child's Heart, associação israelita que se dedica a tratar crianças com doenças cardíacas graves.
Há ainda outros influencers que aceitaram o convite, como é o caso de Bruna Fortunato ou Filipe M. Vilarinho que têm também publicado extensivamente nas redes sociais sobre Israel e com o restante grupo de influencers.
Do outro lado da barricada está o influencer Kiko is Hot (Francisco Soares). Num vídeo publicado nas redes sociais, o influencer mostrou a mensagem que recebeu da embaixada israelita a convidá-lo para assistir à Pride Parade (Marcha pelo Orgulho Gay) que ocorreu em junho. "Cada pessoa faz as suas escolhas, eu também fiz a minha", afirmou.
No vídeo, o influencer critica os influencers que foram a Israel: "Ao contrário do que estes influenciadores podem achar, eles não foram convidados porque são muito bonitos e muito bons naquilo que fazem. Não. Isto é uma questão de diplomacia política, de limpar a imagem". "O problema é que há imagens que nenhuma viagem de influenciadores pode apagar. 70 mil pessoas já foram mortas no genocídio que Israel está a fazer à Palestina, muitas delas crianças", continuou.
As reações
Uma passagem rápida pelas caixas de comentário nas publicações dos influencers envolvidos (desde os que aceitaram a viagem aos que a rejeitaram) mostra público dividido. Em muitos comentários nas publicações feitas nos vídeos publicados a partir de Israel lê-se "libertem a Palestina" ou "é preciso acabar com o genocídio". Mas há também quem apoie Israel e o trabalho que aqueles influencers estão a fazer, mostrando "a verdadeira essência de Israel".
Já nas publicações de Kiko is Hot, surgem muitas pessoas a desafiá-lo a aceitar o convite para ver o que se passa em Israel e não aceitar "a narrativa mainstream", enquanto outros pedem uma condenação ao Hamas e outros grupos abertamente anti-homossexuais (Kiko is Hot é um ativista pelos direitos LGBT há vários anos).
A campanha israelita
Um estudo levado a cabo pelo Pew Research Center concluiu que a maioria (cerca de 60%) dos norte-americanos têm uma imagem negativa de Israel. Isto inclui 57% dos republicanos com menos de 50 anos.
Em setembro de 2025, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu esteve reunido com vários influenceres norte-americanos em Nova Iorque e disse-lhes: "Temos de combater com as armas que temos nos vários campos de batalha. E um dos campos mais importantes atualmente é o das redes sociais".
Na altura elogiou ainda a compra do TikTok por parte da Oracle, de Larry Ellison, e de outros investidores norte-americanos com visões pró-israelitas.
As autoridades de saúde do Hamas afirmaram que desde o início da ofensiva israelita (em outubro de 2023, depois de um ataque levado a cabo pelo Hamas e que fez mais de mil mortos) foram registadas 73.233 mortes e 173.707 pessoas feridas.
Israel convidou influencers portugueses a visitar o país. Kiko is Hot decidiu não ir
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