Sábado – Pense por si

Pedro Ledo
Pedro Ledo Jurista especialista em Cibersegurança
27 de julho de 2026 às 10:15

As máquinas entraram no santuário: a inteligência artificial ao serviço dos serviços secretos

Análises publicadas sobre a Operação Epic Fury, iniciada a 28 de fevereiro de 2026, descrevem cerca de 5.500 a 6.000 alvos atingidos no Irão em três semanas, com os primeiros mil ataques nas primeiras vinte e quatro horas, suportados por uma plataforma que fundiu nove sistemas de informações militares numa única interface.

Durante um século, a espionagem foi um negócio de escassez: poucas fontes, pouca informação, muito tempo para pensar. O problema inverteu-se. Hoje o volume de dados que uma agência recolhe excede em várias ordens de grandeza a capacidade humana de os ler, e é essa assimetria, não qualquer fascínio tecnológico, que explica a velocidade a que os serviços de informações estão a absorver modelos de linguagem. A CIA geriu algumas centenas de projetos de inteligência artificial no último ano e produziu, pela primeira vez, um relatório de informações gerado por IA. Em abril, o subdiretor Michael Ellis descreveu a introdução de "colegas de trabalho" artificiais alojados nas plataformas analíticas da agência, que ajudam a redigir juízos-chave, a editar para clareza e a comparar versões contra padrões de tradecraft, sem substituir o raciocínio do analista. Numa década, admite, os oficiais gerirão equipas de agentes artificiais num modelo híbrido. Em junho, o diretor John Ratcliffe assumiu publicamente que a agência não pode esperar por uma abordagem isenta de risco e que vai correr riscos calculados, experimentar e corrigir o rumo pelo caminho, comparando a capacidade destes sistemas a armas nucleares digitais que estão a reescrever a realidade do conflito.

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