Durante 28 anos, a infanta Filipa combinou encontros com Salazar, pediu-lhe favores para amigos, para a Causa Real e para o sobrinho D. Duarte Pio. Trocou cartas com o ditador que revelam uma grande cumplicidade, e, quando ele morreu, tentou desesperadamente reavê-las. O que passou entre os dois?
Há uma carta marcante em 1962. A 13 de janeiro, Filipa estava em Lisboa, na sua nova residência e descrevia a decoração, a paisagem, o jardim, as árvores de fruto e o trabalho que estava a ter com a empregada para tornar a casa "habitável". Descrevia até a vizinhança. "Todo este bairro [Penha de França] não é considerado chique, como o é por exemplo a Estrela ou a Lapa, mas o povo aqui parece simples e simpático e há menos miséria do que nas traseiras e vizinhanças da rua das Praças [na Lapa, onde morara antes e tivera de sair porque a senhoria quis vender a casa]".
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Depois, vinham os pedidos de encontros. "Quando é que o poderei visitar? Ao menos vê-lo um bocadinho… será possível?" E depois: "Preciso de o ver e de estar um pouco consigo para retemperar as minhas forças morais. Quer telefonar-me logo à noite?". Filipa escrevia que provavelmente ia jantar com os sobrinhos, mas que às 23 horas já estaria em casa. "O telefone do meu quarto tem o número 842021."
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